Consulta prévia indica António Guterres como próximo secretário-geral da ONU

Segundo o anúncio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o português António Guterres “surgiu como a escolha unânime” e seu nome deve ser apontado em votação formal nesta quinta-feira (6).

António Guterres, então chefe do ACNUR, durante coletiva de imprensa.Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

António Guterres, então chefe do ACNUR, durante coletiva de imprensa.Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Em nome do Conselho de Segurança da ONU, o representante permanente da Rússia junto às Nações Unidas, Vitaly Churkin, informou no começo da tarde desta quarta-feira (5) ao presidente da Assembleia Geral da Organização, Peter Thomson, que foi encerrada na manhã do mesmo dia a sexta consulta informal do Conselho para a eleição do próximo secretário-geral. Segundo o anúncio, o português António Guterres “surgiu como a escolha unânime”.

Churkin disse a Thomson que o Conselho de Segurança se reunirá na quinta-feira (6) para realizar uma votação formal, e se espera que, ainda segundo o anúncio, o nome de Guterres seja aprovado “por aclamação”.

O presidente de Assembleia Geral agradeceu a informação e disse que estava pronto para “avançar no processo de nomeação do próximo secretário-geral em conformidade com a Carta das Nações Unidas”.

António Guterres, de 67 anos, foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002. Nas Nações Unidas, ele atuou como alto-comissário para os refugiados, chefiando a agência da ONU especializada no tema, o ACNUR, entre junho de 2005 a dezembro de 2015.

Após a eventual aprovação no Conselho de Segurança, seu nome segue para a Assembleia Geral, que deve referendar a decisão.

Confira o anúncio oficial, em inglês, clicando aqui.

Nascido em Lisboa em 1949 e formado em engenharia pelo Instituto Superior Técnico, Guterres supervisionou uma profunda reforma estrutural no ACNUR durante o período em que chefiou agência, reduzindo sua equipe da sede em Genebra em 20% e aumentando a eficiência e capacidade de resposta da organização.

O volume de atividades do ACNUR triplicou durante seu mandato, após a introdução de uma abordagem orçamentária baseada em demandas. O aumento também ocorreu em meio a um cenário de forte alta do número de pessoas deslocadas por conflitos e perseguições, que passou de 38 milhões em 2005 para mais de 60 milhões em 2015, diante de conflitos na Síria e no Iraque, assim como no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e no Iêmen, entre outros lugares.

Antes de atuar no ACNUR, Guterres passou mais de 20 anos no serviço público e governamental. Quando era primeiro-ministro de Portugal, envolveu-se nos esforços internacionais para solucionar a crise no Timor-Leste.

Como presidente do Conselho Europeu no início dos anos 2000, liderou a adoção da “Estratégia de Lisboa”, um plano de desenvolvimento estratégico para a União Europeia, e copresidiu a primeira cúpula da Europa com a União Africana.

Guterres também foi membro do Conselho de Estado português de 1991 a 2002, tendo sido eleito para o parlamento do país em 1976, onde serviu por 17 anos. Durante esse período, foi presidente do Comitê para Economia, Finanças e Planejamento e, mais tarde, do Comitê para Administração Territorial, Municipalidades e Meio Ambiente. De 1981 a 1983, foi membro da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, período no qual foi eleito presidente do Comitê de Demografia, Migração e Refugiados.

Por muitos anos, Guterres atuou na Internacional Socialista, organização mundial de partidos socialdemocratas e socialistas. Ele foi vice-presidente da organização de 1992 a 1999, copresidindo o Comitê Africano e, mais tarde, o Comitê de Desenvolvimento.

Guterres foi presidente da Internacional Socialista de 1999 até meados de 2005. Além disso, fundou o Conselho de Refugiados português, assim como a associação de consumidores DECO, e serviu como presidente do Centro de Ação Social Universitário, uma associação de projetos de desenvolvimento em bairros pobres de Lisboa do início dos anos 1970.

Membro do Clube de Madri, uma aliança de ex-presidentes e ex-premiês do mundo todo, Guterres é fluente em português, inglês, francês e espanhol. É casado e tem dois filhos.