Conselho de Segurança: Sessão de emergência trata violência entre palestinos e israelenses

Secretário-geral assistente para Assuntos Políticos fez um resumo sobre os vários incidentes ocorridos nas últimas semanas que já deixaram mais de 32 palestinos e sete israelenses mortos. Número de feridos ultrapassa 1.200.

Um membro da Sociedade Palestina do Crescente Vermelho ajuda um ferido durante um embate em Belém. Choques entre o exército israelense na Cisjordânia deixam muitos feridos por balas de borracha e gás lacrimogêneo. Foto: IRIN/ Oren Ziv

Um membro da Sociedade Palestina do Crescente Vermelho ajuda um ferido durante um embate em Belém. Choques entre o exército israelense na Cisjordânia deixam muitos feridos por balas de borracha e gás lacrimogêneo. Foto: IRIN/ Oren Ziv

O Conselho de Segurança da ONU realizou na última sexta-feira (16) uma reunião de emergência para tratar da escalada de violência entre palestinos e israelenses. O secretário-geral assistente da ONU para Assuntos Políticos, Tayé-Brook Zerihoun, informou sobre o último incidente grave ocorrido na Cisjordânia, onde um grupo de palestinos colocou fogo em um templo venerado pelos judeus, onde está localizado o túmulo de José.

“Felizmente não há relatos de feridos, mas o lugar sofreu danos importantes”, disse Zerihoun. “Como tantos outros incidentes mortais nas últimas semanas, o secretário-geral [Ban Ki-moon] condena veemente este ato lamentável e pede que todos os responsáveis sejam levados à justiça rapidamente.”

Para ele, o incidente tem um caráter preocupante por conta de sua dimensão religiosa. Ele reforçou o pedido da ONU de respeito aos lugares sagrados e criticou todos os elementos extremistas que tentam desvirtuar a agenda política de uma questão nacional para uma luta religiosa.

O representante citou os vários incidentes ocorridos nas últimas semanas que deixaram mortos e feridos entre palestinos e israelenses. Além disso, em resposta ao lançamento de foguetes pelo Hamas, as forças de segurança israelenses voltaram a bombardear Gaza.

Segundo Zerihoun, até a quinta-feira (15) um total de sete israelenses e 32 palestinos morreram, incluindo aqueles envolvidos ou supostamente envolvidos nos ataques. Outros 124 israelenses, incluindo membros das forças de segurança israelenses, e mais de 1.118 palestinos ficaram feridos desde 1º de outubro.

Como resposta a esta violência, as forças de defesa israelenses aumentaram sua presença nos centros urbanos de Israel e nos bairros árabes de Jerusalém Oriental, implementando bloqueios em ruas e estradas e postos de controle, além de aumentar a restrição de movimento na Cisjordânia.

Outras medidas adotadas incluem a demolição de residências de pessoas acusadas de serem responsáveis de atos terroristas. Os familiares, se forem  moradores de Jerusalém Oriental, terão suas autorizações de residência revocadas.

‘Medidas de segurança não serão suficientes’

“As Nações Unidas têm mantido uma posição consistente sobre esta questão”, ele continuou. “Punição coletiva, incluindo a demolição de casas, são contraprodutivas e uma violação do direito internacional. Instamos Israel a cessar imediatamente essa prática prejudicial.”

Zerihoun advertiu que “a crise atual não pode ser resolvida apenas através de medidas de segurança”. Entre algumas causas para atual onda de violência estão a falta de perspectivas de alcançar um Estado soberano, agravadas pelas circunstâncias econômicas escassas, a falta de empregos para os jovens e a contínua expansão de assentamentos israelenses.

“Esta perda de perspectiva política é o principal fator prejudicial que contribui para a raiva e frustração, alimentando a violência que estamos vendo hoje”, disse.

Neste contexto, ele adicionou, outros incidentes que inflaram as tensões envolveram problemas de acesso a lugares sagrados em Jerusalém e declarações imprudentes feitas por elementos extremistas palestinos e israelenses.

“As reafirmações do primeiro-ministro Netanyahu de que Israel não tem intenção de mudar o status quo histórico nos lugares sagrados são bem-vindas”, disse. “Mas percepções só irão mudar com ações concretas, baseadas em acordos entre Israel e Jordânia, que acompanhem essas palavras.”

Zerihoun também ressaltou o aparente abuso da força dos serviços de segurança de Israel, incluindo a disseminação de imagens de vídeo de vários incidentes que podem ter servido de combustível para mais ataques. “O secretário-geral pediu uma investigação profunda para todos estes casos”, afirmou.

“Finalmente, vimos que o impacto das redes sociais e a retórica irresponsável tiveram um papel dramático nessa escalada. Neste sentido, ambos os lados têm muita culpa, mas parabenizo os esforços dos líderes nos últimos dias para baixar o tom de suas declarações. Apelo aos líderes comunitários, religiosos e políticos de ambos os lados para atenuarem a linguagem que eles usam nesta questão e trabalhem juntos para diminuir as tensões”, concluiu.