Conselho de Segurança renova missão de paz da ONU no Chipre

O Conselho de Segurança decidiu em janeiro (30) renovar por mais seis meses o mandato da Força de Manutenção da Paz da ONU no Chipre, ilha no Mediterrâneo que vive dividida entre comunidades e autoridades de origens grega e turca. Negociações sobre a reunificação do território estão num impasse desde julho de 2017, quando diálogos entre as partes fracassaram.

Força de Manutenção da Paz da ONU no Chipre numa zona neutra entre as áreas de influência grega e turca. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Força de Manutenção da Paz da ONU no Chipre numa zona neutra entre as áreas de influência grega e turca. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O Conselho de Segurança decidiu em janeiro (30) renovar por mais seis meses o mandato da Força de Manutenção da Paz da ONU no Chipre, ilha no Mediterrâneo que vive dividida entre comunidades e autoridades de origens grega e turca. Negociações sobre a reunificação do território estão num impasse desde julho de 2017, quando diálogos entre as partes fracassaram.

A deliberação do Conselho insta todos os lados a renovar o seu compromisso com a criação de um estado federal. A decisão, adotada unanimemente pelos países-membros do organismo, ressalta que o atual status quo é insustentável.

A missão das Nações Unidas na ilha, conhecida pela sigla UNFICYP, foi criada em 1964, para evitar novos confrontos entre as comunidades grego-cipriotas e turco-cipriotas. Na ausência de uma solução política para o imbróglio, a força de paz permaneceu no local para supervisar perímetros de cessar-fogo, manter uma zona neutra entre as áreas de diferentes partes da disputa e realizar atividades humanitárias. O organismo também apoia os bons ofícios da missão do secretário-geral para as negociações.

O relatório mais recente do chefe da ONU António Guterres sobre a missão no Chipre aponta que as duas comunidades querem um processo de paz que seja “mais inclusivo, transparente e representativo do povo”. O documento afirma que a incerteza quanto ao futuro das negociações sobre assentamentos parece estar impedindo o engajamento político e ameaça enfraquecer o apoio à reunificação no país. Pesquisas recentes mostram que ainda há um alto nível de desconfiança mútua entre os grupos.

O principal desdobramento positivo mencionado no documento de Guterres é a abertura de duas novas passagens nas fronteiras entre as áreas de influência grega e truca. Esses pontos de trânsito são separados por uma zona neutra mantida pela UNFICYP.

A situação ao longo dos perímetros sob cessar-fogo permanece estável, mas as forças em conflito de ambos os lados continuam pesadamente armadas – o que faz com que a tensão entre esses grupos esteja “sempre presente”, segundo o documento do secretário-geral.

A mesma resolução que renova o mandato da missão da ONU também pede a implementação de medidas capazes de construir confiança entre as populações. Entre os apelos, está o desenvolvimento de uma rede de eletricidade e telefonia móvel por toda a ilha. O Conselho de Segurança solicita ainda que os dois lados promovam a educação para a paz e melhorem a atmosfera das negociações sobre assentamentos por meio de mensagens construtivas e harmonizadas.