Conselho de Segurança rejeita pedido da Rússia de condenar ataques aéreos na Síria

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Em discurso durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança no sábado (14), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou sobre a possibilidade de a crise na Síria “sair do controle”.

A reunião foi realizada após ataques aéreos na Síria lançados pelos Estados Unidos com apoio da França e do Reino Unido, que tinham como alvo unidades supostamente conectadas a instalações de armas químicas do país.

O encontro foi convocado pela Rússia, que não conseguiu fazer com que os demais 14 membros do Conselho adotassem a resolução condenando os ataques aéreos.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, fala durante reunião de emergência do Conselho de Segurança. Foto: ONU/Manuel Elias

Secretário-geral da ONU, António Guterres, fala durante reunião de emergência do Conselho de Segurança. Foto: ONU/Manuel Elias

Em discurso durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança no sábado (14), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou sobre a possibilidade de a crise na Síria “sair do controle”.

A reunião foi realizada após ataques aéreos na Síria lançados pelos Estados Unidos com apoio da França e do Reino Unido, que tinham como alvo unidades supostamente conectadas a instalações de armas químicas do país.

O encontro foi convocado pela Rússia, que não conseguiu fazer com que os demais 14 membros do Conselho adotassem a resolução condenando os ataques aéreos.

Falando antes da votação da resolução, o secretário-geral da ONU pediu que os países evitassem ações que pudessem agravar a situação na Síria e piorar o sofrimento de seu povo.

“Como secretário-geral das Nações Unidas, é meu dever lembrar os Estados-membros que é uma obrigação, particularmente quando estão lidando com questões de paz e segurança, agir consistentemente com a Carta da ONU e com a lei internacional em geral”, disse aos embaixadores, ecoando o comunicado emitido após os ataques aéreos.

“Como fiz ontem, enfatizo a necessidade de evitar que a situação saia do controle”, declarou, referindo-se à reunião realizada na sexta-feira (13), uma das cinco vezes em que o Conselho se reuniu nas últimas semanas para tratar da questão da Síria.

Os EUA e seus aliados lançaram os ataques aéreos em resposta a um ataque químico da semana passada na cidade síria de Douma.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que seus parceiros informaram que cerca de 500 pessoas exibiram “sinais e sintomas consistentes com exposição a químicos tóxicos”.

“Mais de 70 pessoas que se abrigavam em porões morreram, com 43 dessas mortes relacionadas a sintomas consistentes com a exposição a químicos altamente tóxicos”, de acordo com comunicado da agência emitido na quarta-feira (11).

Parceira da ONU, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) despachou uma equipe para o local.

Os ataques aéreos foram limitados a três localizações militares, mas o secretário-geral da ONU disse que a Organização não pôde verificar de forma independente esses detalhes e se houve mortes.

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou os ataques aéreos como um “ato de agressão”, informou o representante do país ao Conselho.

“Trata-se de violação das relações internacionais, e não é uma pequena violação tendo em vista que estamos falando de importantes potências nucleares”, disse o embaixador Vassily Nebenzia.

“Diversos ataques foram conduzidos contra o centro de pesquisa científica em Barzeh e Jamraya. Recentemente, duas inspeções da OPCW foram conduzidas com acesso desimpedido a todas as unidades. Especialistas não encontraram nenhum rastro de atividade que viole a convenção de armas químicas. As unidades científicas na Síria são usadas apenas para atividade pacífica com vistas a ampliar a efetividade da atividade econômica na Síria.”

A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, defendeu a operação conjunta com a França e o Reino Unido, expressando confiança de que os ataques aéreos teriam paralisado o suposto programa de armas químicas sírio.

“Com a ação militar de ontem, nossa mensagem foi clara. Os Estados Unidos da América não permitirão que o regime de Assad continue a usar armas químicas”, disse.

A crise síria entra agora em seu oitavo ano, e é a principal ameaça à paz internacional e segurança, disse o chefe da ONU em coletiva de imprensa.

“Na Síria, vemos confrontações e guerras por procuração envolvendo diversos exércitos nacionais, uma série de grupos de oposição armados, muitas milícias nacionais e internacionais, combatentes estrangeiros de todos os lugares do mundo e várias organizações terroristas”, declarou.

O secretário-geral da ONU reiterou que não há solução militar para a crise, apenas política.


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