Conselho de Segurança pede contenção em meio a tensões no Golfo entre Irã e EUA

Após as conversas a portas fechadas, o embaixador Mansour al-Otaibi, do Kuwait, que assumiu a presidência do Conselho de Segurança durante o mês de junho, leu uma declaração informal em nome do órgão de 15 membros, condenando os ataques a petroleiros no Golfo.

Segundo a declaração, os ataques representam “uma séria ameaça à navegação marítima e ao fornecimento de energia”, assim como uma ameaça à paz e à segurança internacional. A declaração se referia a uma série de incidentes no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã, atribuídos pelos Estados Unidos ao Irã, que negou envolvimento.

“Os membros do Conselho instam partes envolvidas e todos os países na região a exercerem contenção máxima e adotarem medidas e ações para reduzir agravamentos e encerrar tensões”, disse.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante reunião no Conselho de Segurança. Foto: ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante reunião no Conselho de Segurança. Foto: ONU

O embaixador do Irã nas Nações Unidas afirmou na segunda-feira (24) que há uma necessidade de “diálogos regionais genuínos” para responder às crescentes tensões no Golfo, e pediu que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “desempenhe um papel” para levar os países à mesa de negociações.

O embaixador Majid Takht Ravanchi falou a jornalistas do lado de fora da câmara do Conselho de Segurança, em Nova Iorque. Um encontro a portas fechadas foi realizado para discutir as relações deterioradas entre Estados Unidos e Irã, que também exacerbou tensões com seu rival regional, a Arábia Saudita, e seus aliados.

O representante permanente do Irã na ONU disse ter pedido para participar do encontro, mas que o pedido foi rejeitado. Ele culpou os Estados Unidos, um membro permanente do órgão de 15 membros, e afirmou que o Irã “não quer guerra, ou um agravamento de tensões” na região.

“A decisão de hoje dos EUA, de impor mais sanções contra o Irã, é mais um indicativo da contínua hostilidade dos EUA contra o povo iraniano e seus líderes”, afirmou. “Para diminuir tensões na região mais ampla do Golfo Pérsico, os EUA precisam parar suas aventuras militares em nossa região, assim como sua guerra econômica”.

Autoridades norte-americanas afirmaram que o Irã é responsável por dois incidentes distintos nas semanas recentes, em torno do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã, envolvendo seis petroleiros que foram danificados. O Irã negou categoricamente qualquer envolvimento.

Na semana passada, um drone norte-americano não tripulado foi abatido por forças militares iranianas, no que os EUA afirmaram ser águas internacionais no Golfo. O embaixador Ravanchi repetiu na segunda-feira a declaração iraniana de que o drone estava violando espaço aéreo iraniano quando foi abatido.

Irã “é responsável”, diz embaixador interino dos EUA

Falando no mesmo pódio imediatamente após o encontro a portas fechadas, o embaixador interino dos EUA, Jonathan Cohen, disse a jornalistas que “é claro para nós, e deveria ser para o mundo, que o Irã é responsável pelos ataques de 12 de maio e de 13 de junho contra navios no Golfo Pérsico”. Segundo Cohen, “tais ataques apresentam uma séria ameaça à liberdade de navegação e de comércio em um dos canais mais importantes do mundo”.

Cohen afirmou que o drone não havia entrado em espaço aéreo iraniano, mas se baseou na interpretação de que a posição da aeronave não tripulada estava na “região de informação de voo”, que “não é o mesmo que o espaço aéreo deles”.

“O Irã precisa entender que estes ataques são inaceitáveis. É hora de o mundo se juntar a nós para dizer isto. Nossa política continua sendo um esforço econômico e diplomático para trazer o Irã de volta à mesa de negociação”.

Mais cedo, o embaixador iraniano havia afirmado que seu país não irá participar de conversas com os EUA enquanto sanções punitivas estiverem em vigor, junto a intimidações e ameaças.

“Nervos de aço” são necessários, diz Guterres

Solicitado mais cedo a comentar em briefing regular à imprensa na sede da ONU sobre as contínuas tensões na região do Golfo, o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, afirmou que o secretário-geral “deixou claro suas preocupações, tanto sobre os incidentes recentes quanto sobre a retórica de várias partes”.

Ele afirmou que “seria uma catástrofe ter qualquer agravamento na região do Golfo”, acrescentou Haq. “Ele instou todas as partes a mostrarem nervos de aço, e ele continua sustentando isso, e quer garantir que elas tomem medidas para evitar quaisquer tipos de provocações”.

Conselho de Segurança pede para todos os países “exercerem contenção máxima”

Após as conversas a portas fechadas, o embaixador Mansour al-Otaibi, do Kuwait, que assume a presidência do Conselho de Segurança durante o mês de junho, leu uma declaração informal em nome do órgão de 15 membros, condenando os ataques a petroleiros no Golfo.

Segundo a declaração, os ataques representam “uma séria ameaça à navegação marítima e ao fornecimento de energia”, assim como uma ameaça à paz e à segurança internacional.

“Os membros do Conselho instam partes envolvidas e todos os países na região a exercerem contenção máxima e adotarem medidas e ações para reduzir agravamentos e encerrar tensões”, disse.

A declaração pedia para diferenças serem respondidas “pacificamente e através de diálogos”.