Conselho de Segurança deve exercer pressão pela paz no Iêmen, diz ONU

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Enviado das Nações Unidas para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, pediu que membros do Conselho de Segurança da Organização exerçam pressão sobre as partes em conflito no país para que todos se empenhem construtivamente na discussão do processo de paz na região.

Conflito no Iêmen completou dois anos nesta semana e, só no último ano, mais de 1,5 mil crianças morreram devido à violência, advertiu o chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien. Todos os dados são alarmantes: 15 milhões de pessoas sem acesso a serviços de saúde; 19 milhões de iemenitas precisam de assistência para não passar fome, o correspondente a mais de dois terços da população.

Meio milhão de crianças sofre de desnutrição aguda grave devido à guerra no país mais pobre do Oriente Médio. Foto: UNICEF

Meio milhão de crianças sofre de desnutrição aguda grave devido à guerra no país mais pobre do Oriente Médio. Foto: UNICEF

O enviado das Nações Unidas para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, pediu nessa quarta-feira (29) aos membros do Conselho de Segurança da Organização que exerçam pressão sobre as partes em conflito no país para que todos se empenhem construtivamente na discussão do processo de paz na região.

“As autoridades do Iêmen devem concordar em se envolver nas discussões baseadas no plano apresentado. O [movimento] Ansar Allah e o Congresso Geral do Povo devem pôr fim à recusa de longa data de realizar discussões sérias sobre os arranjos de segurança”, destacou Ahmed em comunicado à imprensa.

O enviado especial apresentou às partes um plano que inclui um conjunto de medidas políticas e de segurança destinadas a assegurar o fim rápido da guerra; a retirada de formações militares e o desarmamento em áreas-chave; e a criação de um governo de transição inclusivo.

O funcionário da ONU também expressou sua profunda preocupação com a rápida deterioração da situação humanitária e econômica, em meio a uma preocupante escalada de operações militares.

“A única maneira real de evitar um agravamento da situação é chegar a uma resolução pacífica para este trágico conflito que tem acontecido por muito tempo. Tenho a firme convicção de que a escalada militar e o sofrimento humanitário não vão aproximar as partes”, disse.

Ele alertou que o impacto do conflito sobre a economia e a segurança alimentar será sentido por muito tempo no futuro e comprometerá as tentativas de restabelecer a estabilidade.

“Peço à comunidade internacional que fale de maneira unificada, firme e consistente com as partes em conflito”, disse

“O Conselho também precisa usar todo o seu peso diplomático para pressionar as partes relevantes a fazer concessões necessárias, de modo que elas cheguem a um acordo final antes que mais vidas sejam perdidas. Vamos dar outra chance à paz”, concluiu.

ONU alerta: 1,5 mil crianças morreram em um ano de conflito

O conflito no Iêmen completou dois anos nesta semana e, só no último ano, mais de 1,5 mil crianças morreram devido à violência, advertiu o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien.

De acordo com dados verificados pela ONU, no ano passado, o número de crianças mortas aumentou de 900 para mais de 1.500; os feridos quase duplicaram, de 1.300 para 2.450; as crianças recrutadas em combate se aproximaram de 1.580 (em comparação com 850 no ano passado); e 212 escolas foram atacadas (acima das 50 do ano anterior).

Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema de saúde está à beira do colapso e 15 milhões de pessoas não têm acesso a cuidados de saúde. Casos de cólera e diarreia aguda continuam aumentando após terem sido registrados 22,5 mil casos suspeitos e 106 mortes.

Em comunicado, Stephen O’Brien destacou que, apesar dos esforços internacionais para um acordo político global negociado, os iemenitas se familiarizaram com “sons de ataques aéreos, bombas, balas e artilharia”, que muitas vezes representam o som de mais uma morte.

Segundo a ONU, 45% das unidades de saúde são totalmente funcionais no Iêmen; 38% estão funcionando parcialmente; e 17% estão desativadas. Foto: OMS Iêmen

Segundo a ONU, 45% das unidades de saúde são totalmente funcionais no Iêmen; 38% estão funcionando parcialmente; e 17% estão desativadas. Foto: OMS Iêmen

Ele citou também a destruição da economia iemenita, que provocou a falta de alimentos, o deslocamento de mais de 3 milhões de pessoas e os impedimentos a ações humanitárias, que pretendem aliviar o sofrimento e salvar vidas.

As Nações Unidas lembram que o país ainda está à beira da fome, com 19 milhões de iemenitas carentes de assistência. O número corresponde a mais de dois terços da população. Neste momento, 7 milhões de pessoas enfrentam a insegurança alimentar no país.

“Acima de tudo, o povo iemenita precisa que as partes se comprometam com o diálogo político ou esta crise criada pelo homem nunca acabará”, disse O’Brien. “Entretanto, juntos podemos – e devemos – evitar a fome e essa catástrofe humana”, acrescentou.

Meio milhão de crianças enfrentam desnutrição aguda grave

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou na segunda-feira (27) que meio milhão de crianças sofrem de desnutrição aguda grave devido à guerra no país mais pobre do Oriente Médio. O número representa um aumento de 200% em relação a 2014.

Segundo a agência da ONU, a cada 10 minutos, uma criança morre no Iêmen de causas evitáveis, como desnutrição, diarreia ou infecções do trato respiratório.

O UNICEF – que fornece ajuda urgente para salvar as crianças mais vulneráveis – apoia a população iemenita com vacinas, alimentos, tratamento contra desnutrição grave, apoio à educação, aconselhamento psicossocial e assistência monetária.

Diante da situação, a agência apela ao cessar-fogo imediato e ao fim das violações dos direitos humanos das crianças.


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