Conselho de Segurança da ONU volta a pedir paz na região dos Grandes Lagos Africanos

Na República Democrática do Congo, conflitos deixaram 2,6 milhões de pessoas deslocadas e 6,4 milhões precisando de alimentos.

Membro das forças de paz da ONU na RDC protege a cidade de Kibati. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

O Conselho de Segurança da ONU reafirmou nesta quinta-feira (25) seu compromisso com o acordo de paz das Nações Unidas para a conflituosa região dos Grandes Lagos da África e exigiu o fim imediato das hostilidades na República Democrática do Congo (RDC). No país, novos confrontos entre grupos rebeldes armados e tropas congolesas causaram a fuga de milhares de civis.

“As novas demandas do Conselho de Segurança exigem que os membros de todos os grupos armados desmantelem e abaixem as armas,  imediata e permanentemente, e solicita o restabelecimento da autoridade do governo da RDC no leste do país”, disseram os 15 membros do Conselho em um declaração, no início da reunião, presidida pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry.

Durante o ano passado, o Movimento 23 de março (M23), juntamente com outros grupos armados, entrou em conflito várias vezes com as Forças Armadas congolesas no leste da RDC. Os rebeldes ocuparam brevemente Goma, a principal cidade do leste, em novembro de 2012.

A luta, que recomeçou novamente nos últimos dias, e agora abrange um grupo de rebeldes que têm base em Uganda, deslocou mais de 100 mil pessoas, agravando a crise humanitária na região. O país registra 2,6 milhões de pessoas deslocadas internamente e 6,4 milhões necessitando de alimentos e de ajuda de emergência.

“Pedimos a máxima contenção e solicitamos que todos os signatários respeitem seus compromissos”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, referindo-se ao acordo de paz, que foi aprovado em fevereiro por 11 líderes africanos e quatro instituições regionais e internacionais”

No encontro do Conselho, a enviada especial do secretário-geral da ONU para a região dos Grandes Lagos Africanos, Mary Robinson, disse que durante os quatro meses desde que assumiu seu novo posto nas Nações Unidas, “não passa um dia sem um relato de assassinato, estupro, agressão sexual e deslocamento de pessoas no leste da RDC”.

“O que me impressiona é a falta de indignação e o horror neste estrago diário. Tornou-se o normal, aceit “, disse Robinson.

A enviada especial trabalha junto com a sociedade civil e uma comissão técnica composta por membros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos Africanos, da Missão das Nações Unidas de Estabilização na RDC (MONUSCO), de parceiros da ONU e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. Seu objetivo é estabelecer indicadores de progresso e referências para o acordo que sejam “mensuráveis, específicas, alcançáveis, relevantes e com prazos definidos”.