Conselho de Segurança da ONU condena veemente escalada de violência mortal no Sudão do Sul

Os enfrentamentos ocorridos no país no último mês violam o acordo de cessação de hostilidades e mostra falta de compromisso das partes para estabelecer a paz na nação mais jovem do mundo.

Refugiados esperam por descarga em um local no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR/Jake Dinneen

Refugiados esperam por descarga em um local no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR/Jake Dinneen

Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram fortemente a série de confrontos entre o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e as forças da oposição nos estados de Unity e Bentiu, no Sudão do Sul, entre 26 de outubro e 02 de novembro. Na ocasião, o Conselho afirmou que o combate mortal violou os acordos de cessação de hostilidades e demonstrou uma ausência de compromisso de ambas as partes para a paz e o processo político no país.

Os membros do Conselho expressaram “grande preocupação” com a base da ONU em Bentiu – onde atualmente 49 mil pessoas deslocadas internamente estão abrigadas – que mais uma vez se encontram próximas às hostilidades. Além disso, afirmaram que estes novos confrontos “ampliam ainda mais uma grave crise humanitária” no país.

O Conselho de Segurança da ONU “exigiu veemente o fim imediato de toda a violência e reiterou seu pedido para acabar de vez com os abusos e violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário”. Além disso, pediu ao presidente, Salva Kiir, e ao seu ex-vice presidente, Riek Machar, que cheguem a um acordo político, através da mediação da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), para pôr fim ao conflito no Sudão do Sul.

Condenando também as recentes detenções de três funcionários da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) e o sequestro de dois funcionários associados à ONU, os membros do Conselho reiteraram o seu firme apoio à UNMISS e sua missão fundamental no país. “O Conselho de Segurança exige a libertação imediata e segura, e apela ao governo do Sudão do Sul para investigar rapidamente estes incidentes, garantindo que a justiça seja feita”, acrescentou.

Os combates políticos entre o presidente, Salva Kiir, e seu ex-vice, Riek Machar, no Sudão do Sul, desde de dezembro de 2013, já fez com que 100 mil civis buscassem refúgio nas bases UNMISS em todo o país. A crise já deslocou cerca de 1,5 milhão de pessoas e colocou mais de 7 milhões em risco de fome e doença.