Conselho de Segurança condena violência na República Centro-Africana e reitera sanções

Organismo das Nações Unidas afirmou que as agressões a civis e entre comunidades podem ser consideradas crimes de guerra. O Conselho também reiterou seu apoio às autoridades de transição do país.

O PK5 é um dos últimos bairros em Bangui onde muçulmanos e cristãos vivem juntos. Foto: ACNUR/A. Greco

O PK5 é um dos últimos bairros em Bangui onde muçulmanos e cristãos vivem juntos. Foto: ACNUR/A. Greco

O Conselho de Segurança das Nações Unidas expressou nesta terça-feira (20) preocupação com o recente recrudescimento da violência e da instabilidade na República Centro-Africana. O órgão da ONU também reiterou sua decisão de aplicar sanções aos envolvidos em atos que geram insegurança e ameaçam a paz no país. As restrições do Conselho preveem o congelamento de bens e a proibição de viagens para os envolvidos nestes atos.

Para o Conselho de Segurança, os ataques contra civis e a violência entre comunidades, bem como agressões direcionadas especificamente a mulheres e crianças, podem ser considerados crimes de guerra. “Aqueles responsáveis pelos abusos e violações dos direitos humanos e da lei humanitária internacional devem ser responsabilizados”, afirmou o órgão da ONU.

O organismo das Nações Unidas também reafirmou seu apoio às autoridades de transição da República Centro-Africana, sob a liderança da chefe de Estado provisória Catherine Samba-Panza. O Conselho destacou o progresso significativo representado pelo cadastramento de eleitores no país. Para o órgão, é urgente que o referendo constitucional e as eleições presidenciais e legislativas sejam realizados de forma transparente, ao final de 2015.

A atual crise teve início no final de setembro, quando confrontos foram registrados no PK5, bairro da capital Bangui onde muçulmanos e cristãos vivem lado a lado. Após a morte de um motociclista muçulmano, agressões provocaram a destruição de residências e a morte de dezenas de pessoas. Desde então, episódios de violência têm se repetido. No domingo (19), oficiais da Missão Integrada Multidimensional de Estabilização da ONU (MINUSCA) sofreram uma emboscada e foram detidos ilegalmente.