Conselho de Segurança condena incursão fatal em navios de ajuda humanitária que iam para Gaza

O Conselho de Segurança da ONU condenou a intervenção fatal de militares israelenses em embarcações de ajuda humanitária com destino a Gaza e pediu uma “investigação rápida, imparcial, confiável e transparente”. Brasil condenou ataques “com veemência” e pede fim de bloqueio a Gaza.

Conselho de Segurança condena incursão fatal em navios de ajuda humanitária que iam para GazaO Conselho de Segurança da ONU condenou a intervenção fatal de militares israelenses em embarcações de ajuda humanitária com destino a Gaza e pediu uma “investigação rápida, imparcial, confiável e transparente.”

Pelo menos dez pessoas foram mortas quando forças de Israel assumiram o controle de uma frota de seis navios na manhã de segunda (31/5) em águas internacionais, segundo comunicados de imprensa. Foi relatado que o comboio estaria carregando materiais médicos, de construção e de educação, assim como centenas de ativistas de vários países.

No período que antecedeu o incidente, que também foi condenado pelo Secretário-Geral Ban Ki-moon e outros representantes das Nações Unidas, Israel declarou que não deixaria as embarcações chegarem em Gaza. A ONU pediu na semana passada “que todos os envolvidos agissem com senso de cautela e responsabilidade e trabalhassem para uma resolução satisfatória.”

Em uma declaração presidencial emitida na manhã desta terça-feira (1/6), o Conselho disse que “sente profundamente pelas vidas perdidas e pelos feridos resultantes do uso de força durante uma operação militar israelense em águas internacionais contra o comboio navegando em direção a Gaza.”

Um grupo composto por 15 membros foi chamado em Israel para liberar imediatamente os navios e os civis que estavam neles, permitindo que os países envolvidos recuperem os mortos e feridos, além de assegurar a entrega da ajuda humanitária em Gaza.

O Conselho ressaltou que “a situação em Gaza não é sustentável”, mais uma vez expressando “grande preocupação” em relação à situação humanitária na área e enfatizando a necessidade de movimentação regular de bens e pessoas. A ONU repetidamente se declarou contra o bloqueio de Gaza e aumentou a preocupação sobre o fluxo insuficiente de materiais na região para atender necessidades básicas e acelerar a reconstrução. Ban advertiu, em uma reunião recente, que o bloqueio “cria um sofrimento inaceitável, fere forças moderadoras e fortalece extremistas.”

O Conselho declarou que a única solução para o conflito Israelense-Palestino é “um acordo negociado entre ambas as partes”, reiterando que “apenas uma solução de dois Estados, com um Estado Palestino independente e viável convivendo lado a lado em paz e segurança com Israel e outros vizinhos, poderia trazer paz à região.”

Expressando apoio pelas discussões de proximidade que se iniciaram entre os dois lados no mês passado, o Conselho insiste que as partes ajam com limites e evitem atitudes unilaterais e provocativas. O Conselho de Direitos Humanos da ONU está mantendo uma reunião especial em Genebra sobre o incidente desta segunda-feira.

Brasil condena ataques “com veemência” e pede fim de bloqueio a Gaza

A Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmou que o Brasil tinha ficado chocado ao tomar conhecimento dos ataques de Israel a bordo do navio transportando suprimentos de ajuda humanitária para Gaza. O Brasil condenou “com veemência” os ataques e afirmou que “não havia nenhuma justificativa para uma operação militar contra um comboio de ajuda humanitária”, acrescentando que este ocorreu em águas internacionais.

Viotti expressou as profundas condolências de seu país para as famílias daqueles que foram mortos, observando que uma brasileira que estava a bordo de um dos navios poderia ter sido morta. “O incidente deve ser totalmente esclarecido à luz do direito internacional e direito internacional humanitário por meio de uma investigação independente”.

A Representante brasileira declarou que o “incidente deplorável” mostrou a necessidade de acabar com o bloqueio a Gaza. A Resolução 1860 (2009) chamou para o fornecimento desimpedido e a distribuição de assistência humanitária em toda a Faixa de Gaza, incluindo alimentos, combustível e tratamento médico. Apesar de reiterados pedidos em escala global, Israel se recusou sistematicamente a pôr fim ao bloqueio.

Segundo Viotti, os bloqueios também violaram os direitos humanos básicos de cerca de 1,5 milhão de pessoas, e cerca de 18 meses após a “Operação Chumbo Fundido”, os palestinos estavam ainda obrigados a viver em condições completamente inaceitáveis. Na reunião, o Brasil se juntou à comunidade internacional exortando Israel a suspender imediatamente o bloqueio ilegal.