Conselho de Segurança: Brasil se posiciona contra novas sanções ao Irã

Na reunião do Conselho de Segurança sobre a não-proliferação de armas nucleares desta quarta-feira (9), onde uma nova rodada de sanções contra o Irã foi aprovada, Brasil e Turquia foram os únicos países entre 15 votantes a se manifestarem contra a resolução. A representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Maria Luiza Viotti, expressou seu descontentamento com a medida adotada ao se dirigir ao Conselho.

Representante do Brasil na ONU justifica voto contra as sanções ao Irã. Foto: UN.Na reunião do Conselho de Segurança sobre a não-proliferação de armas nucleares desta quarta-feira (9), onde uma nova rodada de sanções contra o Irã foi aprovada, Brasil e Turquia foram os únicos países entre 15 votantes a se manifestarem contra a resolução. A representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Maria Luiza Viotti, expressou seu descontentamento com a medida adotada ao se dirigir ao Conselho.

Viotti justificou o voto como um ato de respeito ao acordo assinado em 17 de maio entre Brasil, Turquia e Irã. Adotar as sanções na conjuntura atual seria ir contra os esforços brasileiros e turcos de negociar uma solução com o Irã. Ela declarou que sanções não seriam efetivas no momento e que levariam sofrimento ao povo iraniano, além de favorecer aqueles que não queriam uma resolução pacífica da questão.

Descrevendo a Declaração de Teerã como uma oportunidade única que não deveria ser descartada, Viotti destacou que o acordo foi aprovado por altos oficiais iranianos, assim como pelo Parlamento. O acordo previa o uso de energia nuclear e oferecia maneiras de verificar de forma plena seus objetivos pacíficos. Ela afirmou que a Declaração mostrava que diálogos funcionam melhor que sanções, além de expressar seu profundo lamento pelo documento não ter tido o reconhecimento merecido nem tempo suficiente para mostrar resultados.

A Representante também mostrou preocupação com a carta do Grupo de Viena – composto por EUA, França e Rússia – ter chegado algumas horas antes da reunião, sem dar tempo da reação do Irã. Também foi preocupante, acrescente, o fato de que os membros permanentes do Conselho, junto com um Estado que não é membro, negociarem a portas fechadas durante um mês. O Brasil reafirmou a importância de manter toda a atividade nuclear sob a guarda da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), enfatizando que as atividades do Irã não são exceção.

Viotti também afirmou que a resolução atrasaria o progresso das negociações e que as desconfianças sobre o programa nuclear do Irã não se resolveriam até que os diálogos se iniciem. Segundo ela, ao adotar as sanções o Conselho escolhe um de dois caminhos para se resolver a questão. Na opinião do Brasil, o Conselho de Segurança escolheu o caminho errado.