Conselho de Segurança adota resolução para suprimir financiamentos a grupos terroristas

Conselho de Segurança da ONU debate ameaças à segurança e à paz internacional em reunião na sede da ONU em Nova Iorque no dia 28 de março. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou na quinta-feira (28) uma nova resolução para suprimir financiamentos a grupos terroristas no mundo todo, ato que foi saudado pela Organização como um passo pioneiro.

Por meio de videoconferência em Roma, onde se encontrou com especialistas italianos da aplicação da lei para discutir a construção de laços para responder ao problema, o chefe do escritório antiterror da ONU, Vladimir Voronkov, disse que a adoção acontece em um “momento crítico”. Segundo ele, ataques recentes demonstram que grupos terroristas continuam tendo acesso a fontes legais e ilegais de financiamento.

Destacando a necessidade de forte colaboração e de esforços mirados para alcançar “resultados concretos” na luta contra terrorismo e financiamento ao terrorismo, Voronkov disse que a resolução 2462 sobre Contenção de Financiamento do Terrorismo une resoluções anteriores para criar um documento consolidado, que também cobre diversas questões emergentes.

A resolução dá ao Escritório das Nações Unidas de Contraterrorismo (UNOCT) um papel de comando para identificar maneiras de suprimir financiamentos ao terrorismo. O escritório foi criado em 2017 para fortalecer a capacidade da Organização de implementar sua estratégia global antiterrorismo.

Voronkov identificou três prioridades. A primeira diz respeito à expansão do foco do UNOCT para cobrir compartilhamento de inteligência, avaliações de riscos e parcerias público-privadas. A segunda aponta para conscientização dentro do sistema e para o desenvolvimento de uma abordagem abrangente ao problema.

A terceira prioridade do UNOCT é trabalhar de perto com reguladores regionais e com o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), um órgão intergovernamental que estabelece padrões para combate à lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e outras ameaçadas relacionadas à integridade do sistema financeiro internacional.

O presidente do GAFI, Marshall Billingslea, e Mercy Buku, especialista na contenção de financiamentos ao terrorismo, também falaram sobre o assunto ao Conselho de Segurança. Billingslea elogiou o fato de que a nova resolução pede para Estados fazerem mais para prevenir pagamentos de resgate para terroristas. Segundo ele, isto incentiva grupos terroristas a continuarem usando sequestros como um importante meio de renda.

Ele também destacou que, atualmente, dois terços dos Estados não estão processando de forma eficaz financiamentos ao terrorismo, que vai além dos setores bancários e financeiros. Os financiamentos incluem construções, tráfico de drogas e até mesmo comércio de carros usados.