Conselho de Segurança da ONU adota resolução para enfrentar combatentes terroristas estrangeiros

Ban Ki-moon chamou aqueles que realizam ataques terroristas de “inimigos da fé” e disse que grupos como o Estado Islâmico não representam o Islã e “certamente não representam um Estado.” 

Cúpula do Conselho de Segurança da ONU sobre Antiterrorismo e Combatentes Terroristas Estrangeiros. Foto: ONU/Marken Garten

Cúpula do Conselho de Segurança da ONU sobre Antiterrorismo e Combatentes Terroristas Estrangeiros. Foto: ONU/Marken Garten

Na Cúpula de Alto Nível do Conselho de Segurança da ONU sobre Antiterrorismo e Combatentes Terroristas Estrangeiros, nesta quarta-feira (24), os 15 membros do órgão aprovaram por unanimidade uma resolução que convoca os Países-membros a cooperarem nos esforços para enfrentar os combatentes terroristas estrangeiros e assim equacionar esta crescente ameaça à paz e à segurança internacional.

Presidido neste mês pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a reunião contou, além dos 15 membros do Conselho, com a participação de 50 oradores, incluindo chefes de Estado e Governo, que tiveram a oportunidade de expressar suas opiniões.

A resolução do Conselho decidiu que os Países-membros devem “prevenir e reprimir o recrutamento, organização, transporte ou equipamento de indivíduos que viajam para um país diferente do seu país de residência ou nacionalidade com o propósito de prática, planejamento e preparação de atos terroristas, bem como participação dos tais. Além disso, prestação ou recebimento de treinamento terrorista, e o financiamento de viagens e atividades.”
 
O órgão ressaltou a necessidade particular e urgente para implementar esta resolução em relação aos combatentes terroristas estrangeiros que estão associados com o Estado Islâmico (EI), a Frente Al-Nusrah Frente (ANF)  e outras células, filiais, grupos dissidentes ou derivados de Al-Qaeda.

Investimento em sociedades livres para acabar com o terrorismo

Entre outras medidas, o texto da resolução exige que os Países-membros intensifiquem e acelerem o intercâmbio de informação operacional relacionado a ações ou movimentos de terroristas ou rede de terroristas, incluindo os combatentes estrangeiros.
 
Na abertura da Conselho, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou aqueles que realizam ataques terroristas de “inimigos da fé” e ressaltou que os grupos como o Estado Islâmico não representam o Islã e “certamente não representa um Estado.” 

“Os terroristas devem ser derrotados, mas devemos fazê-lo de uma forma que evite os atos deliberados de provocação que eles estabeleceram para nós: a vitimização, a radicalização e mais mortes de civis”, disse o secretário-geral. Além disso, ele destacou a necessidade de uma estratégia política “criativa e abrangente” na Síria, que vá além da contenção do fluxo de combatentes terroristas estrangeiros. 

Ban lembrou que mísseis podem matar combatentes extremistas, mas são os investimentos em sociedades livres e independentes que realmente matarão o terrorismo.

Obama disse que as resoluções por si só não são suficientes. “As palavras proferidas aqui hoje devem ser combinadas e traduzidas em ações concretas, dentro das nações e entre elas, e não apenas nos próximos dias, mas nos próximos anos. Esses terroristas acreditam que nossos países não serão capazes de detê-los. A segurança dos nossos cidadãos exige que nós o façamos”, acrescentou.