Conselho de Direitos Humanos debate ataque israelense a navios com ajuda humanitária

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas debateu nesta terça-feira (1) o ataque do exército de Israel a navios que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A Representante da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Kyung-wha Kang, se disse chocada com o fato de que “a ajuda humanitária tenha sido atingida com tanta violência” e condenou o ataque, destacando “o uso desproporcional da força”, se unindo aos pedidos de libertação dos ativistas feito pelo Secretário-Geral da ONU.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas debateu nesta terça-feira (01) o ataque do exército de Israel a navios que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A Representante da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Kyung-wha Kang, se disse chocada com o fato de que “a ajuda humanitária tenha sido atingida com tanta violência” e condenou o ataque, destacando “o uso desproporcional da força”.

Kang apelou para o fim do bloqueio à Faixa de Gaza, que causa sofrimento a 1,5 milhão de palestinos, o que caracterizou como “uma afronta à dignidade humana”. No entanto, ela expressou esperança de que “o governo de Israel tomará as medidas necessárias para demonstrar à comunidade internacional um compromisso claro de respeitar o direito internacional”.

Kyung-wha Kang, Representante da Alta Comissária para os Direitos Humanos, abre sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos sobre o ataque de Israel a seis barcos de ajuda humanitária, resultando em 9 mortes de civis. Foto: UN.

Kyung-wha Kang, Representante da Alta Comissária para os Direitos Humanos, abre sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos sobre o ataque de Israel a seis barcos de ajuda humanitária, resultando em 9 mortes de civis. Foto: UN.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, já havia declarado que “nada pode justificar os resultados terríveis” da operação militar, que matou pelo menos 9 pessoas e deixou dezenas de feridos. Ela uniu-se ao Secretário-Geral Ban Ki-moon, solicitando uma investigação sobre a operação. Pillay pediu ao governo israelense que observe a “visão internacional quase unânime de que o bloqueio contínuo à Gaza é desumano e ilegal”.

O bloqueio, assinalou, “está no cerne de muitos dos problemas que afligem Israel e Palestina, assim como a impressão de que o governo israelense trata o direito internacional com desprezo perpétuo”. Durante o debate, o embaixador de Israel, Aharon Leshno-Yaar, lamentou a perda de vidas no incidente de segunda-feira, mas apontou o dedo para o grupo turco Insani Yardim Vakfi (IHH). Segundo ele, os navios não estavam em missão humanitária, mas sim buscando provocar e incitar seu país. O representante israelense afirmou ainda que alguns passageiros possuiriam facas e armas e teriam atirado contra dois soldados israelenses.

Representando a Palestina, Imad Zuhairi, por sua vez, afirmou que as ações de Israel não ajudam a fortalecer o processo de paz em curso e pediu que uma ação legal seja tomada sobre o caso.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Ali Treki, também se manifestou sobre o tema. Em um comunicado divulgado em Nova York, ele disse estar “profundamente chocado com esta agressão desumana e inaceitável e uso da força contra o pessoal humanitário de todo o mundo, que é uma flagrante violação de todos os princípios e regras do direito internacional”. Treki pediu o “fim da impunidade”, sublinhando a importância de uma investigação imediata independente acerca dos eventos. Ele também engrossou o coro pedindo o fim do bloqueio de Israel à Faixa de Gaza.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) solicitou novamente a entrada irrestrita de medicamentos em Gaza. Centenas de equipamentos – incluindo tomografia computadorizada, raios-x e material de laboratório – estão esperando para entrar na área por até um ano, disse Tony Laurance, que dirige o escritório da Organização em Gaza. “É impossível manter um sistema de saúde seguro e eficaz nas condições do cerco que está em vigor desde junho de 2007”, afirmou Laurance.

Liberação dos ativistas detidos

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, também apelou para a libertação imediata dos ativistas detidos em Israel depois do ataque aos navios de ajuda humanitária, reiterando o seu apelo a uma investigação imediata sobre o incidente. “Reiteramos o nosso apelo a todos os envolvidos para que ajam com cuidado e com senso de responsabilidade para uma resolução satisfatória. A ONU manifestou a sua preocupação sobre este assunto com os parceiros internacionais e com as autoridades de Israel e todas as partes devem agir em conformidade com o direito internacional e evitar provocações neste momento delicado”, declarou uma Porta-Voz da ONU, Marie Okabe.

O Secretário-Geral está a caminho de Nova York a partir da capital de Uganda, Kampala, onde falou ao telefone com vários líderes mundiais, incluindo o presidente palestino, Mahmoud Abbas; o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan; o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak; o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman; e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ban, que condenou os atos de violência em um comunicado divulgado nesta terça-feira (01), também discutiu o assunto com a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

Presente na reunião emergencial do Conselho de Segurança, o Secretário-Geral Adjunto para Assuntos Políticos, Oscar Fernandez-Taranco, afirmou que “o derramamento de sangue teria sido evitado se os repetidos apelos a Israel para pôr fim ao bloqueio contraproducente e inaceitável de Gaza tivessem sido atendidos”. Fernandez-Torres destacou que a operação militar israelense aconteceu “num momento em que todos os esforços devem concentrar-se sobre a necessidade de construir a confiança e fazer avançar as negociações entre Israel e Palestina, bem como estimular a cooperação regional em favor da paz”.

Na quarta-feira (02), autoridades de Israel informaram que os cerca de 700 ativistas detidos seriam deportados até o final do dia.