Conselheiro especial da ONU para a prevenção de genocídios condena ataques contra civis na Síria

O conselheiro especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio, Adama Dieng, expressou seu “ultraje” em relação aos ataques indiscriminados e aparentemente calculados contra civis na Síria, afirmando que estes refletem o contínuo desrespeito das leis humanitárias internacionais por todas as partes no conflito.

Moradores do campo Tesreen em Alepo, na Síria. Foto: OCHA/Josephine Guerrero

Moradores do campo Tesreen em Alepo, na Síria. Foto: OCHA/Josephine Guerrero

O conselheiro especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio, Adama Dieng, expressou seu “ultraje” na segunda-feira (9) em relação aos ataques indiscriminados e aparentemente calculados contra civis na Síria.

Em nota a correspondentes, Dieng disse que entre 27 de abril e 5 de maio, houve ao menos seis ataques contra unidades médicas por parte de diferentes lados do conflito no noroeste de Alepo, nas duas semanas mais mortíferas desde o acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em 27 de fevereiro.

“Esses ataques refletem o contínuo desrespeito flagrante das leis humanitárias internacionais por todas as partes no conflito, e muitos se constituem crimes de guerra”, disse o conselheiro especial. “A comunidade internacional não pode permitir que violadores das leis humanitárias internacionais e dos direitos humanos fiquem impunes”.

Dieng declarou que há alguns dias, na Resolução 2286 sobre atendimento de saúde em conflitos armados, o Conselho de Segurança reiterou a necessidade de Estados-membros manterem suas obrigações em relação às leis humanitárias internacionais e garantir que as partes sejam responsabilizadas.

“É crucial que o Conselho  aplique consistentemente esse princípio”, enfatizou.

Dieng notou que o ataque contra o hospital Al Quds em 27 de abril matou 55 civis, incluindo o último pediatra da cidade, enquanto em 5 de maio, um ataque contra o campo de refugiados de Kamouna, no norte da província de Idlib, deixou ao menos 30 civis mortos.

“Os Estados-membros têm o dever de não falhar com o povo sírio novamente e atender seu pedido de proteção contra genocídios, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e limpeza étnica”, disse o conselheiro especial.

Sobre esse tema, ele declarou que a comunidade internacional precisa “ampliar seu comprometimento” com o fim da impunidade para os crimes na Síria e, portanto, contribuir para evitar novas atrocidades.

“Por essa razão, eu apoio os pedidos do secretário-geral para o Conselho de Segurança levar a situação na Síria para o Tribunal Penal Internacional”, disse Dieng.

Sobre a situação humanitária, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que nos dias 4 e 8 de maio, dois comboios de agências das Nações Unidas ajudaram 3,2 mil pessoas na cidade sitiada de Qaratien, na província rural de Homs, com água, comida, utensílios de higiene, entre outros itens.

Em 6 de maio, um comboio destinado a 35 mil pessoas na cidade de Bloudan, área rural de Damasco, entregou itens essenciais, incluindo água, produtos de saúde, higiene e educação. Esse foi o segundo comboio na cidade, sendo que o primeiro chegou à localidade em meados de março.

Desde o início de 2016, operações de agências da ONU ajudaram mais de 780 mil civis em áreas sitiadas e de difícil acesso em zonas de conflito. Muitas dessas pessoas foram atendidas mais de uma vez.