Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, pode se tornar patrimônio cultural da humanidade

Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO abriu 40ª sessão em Istambul, na Turquia, no último domingo (10). Conjunto Arquitetônico da Pampulha foi projetado por Oscar Niemeyer e construído entre 1942 e 1944.

Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Foto: Andre Borges Lopes/Wikimedia/CC

Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Foto: Andre Borges Lopes/Wikimedia/CC

A 40ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial foi aberta no último domingo (10) em Istambul, na Turquia, com um sítio brasileiro entre os indicados.

Entre os avaliados na categoria de sítio cultural está o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, projetado por Oscar Niemeyer sob encomenda do prefeito Juscelino Kubitschek e construído entre 1942 e 1944.

Segundo a UNESCO, a cerimônia de abertura foi uma oportunidade para lembrar que o Patrimônio Mundial, que hoje em dia está sob numerosas ameaças de depredação, deve permanecer um vetor de coesão e diálogo em nível internacional.

Numan Kurtulmus, vice-primeiro ministro da Turquia, disse que a cultura e o patrimônio devem exercer um papel fundamental, ainda mais crucial em um período marcado por guerras e ataques terroristas. “A UNESCO tem como missão proteger nossos valores comuns […] e este papel é ainda mais crucial hoje, no período difícil que vivemos”, disse ele. “A melhor resposta a esses ataques não é apenas política, mas também artística e cultural. Precisamos permanecer unidos.”

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse que o Patrimônio Mundial incorpora uma ideia revolucionária, “a ideia de que pessoas de todas as culturas e crenças podem se unir diante da noção de valor universal excepcional”.

“Quando um sítio do Patrimônio Mundial é destruído em qualquer lugar do mundo, nós todos sofremos, mesmo que seja em outra região, em outro período, numa outra cultura”, disse Bokova. “O que está em jogo aqui é mais do que apenas adicionar novos sítios na lista. É sobre reafirmar valores humanos e direitos humanos. É sobre curar memórias feridas, e utilizar o patrimônio para reconquistar a confiança, se recuperar e olhar para o futuro”, destacou a diretora-geral.

Abertura da reunião, com Irina Bokova falando. Foto: UNESCO

Abertura da reunião, com Irina Bokova falando. Foto: UNESCO

O ministro da Cultura da Turquia, Nabi Avci, insistiu no fato de que a UNESCO está em melhor posição para estabelecer e promover a cooperação. “A UNESCO é a bandeira do ‘soft power’ (poder brando), um princípio fundamental sobre o qual nós podemos construir a paz.”

O presidente-geral da conferência, Stanley Mutumba Simataa, falou sobre a relevância da Convenção do Patrimônio Mundial. “Num tempo de ameaças crescente aos sítios naturais e culturais, a Convenção é a ferramenta chave para empoderar a comunidade internacional a proteger, promover e transmitir nosso patrimônio às gerações futuras.”

“Eu acredito firmemente que é nosso dever reforçar o papel da UNESCO na proteção dos patrimônios em zonas de conflito, bem como assegurar a proteção e a preservação de sítios em áreas afetadas por desastres naturais”, disse o embaixador Micheal Worbs, presidente do conselho executivo da UNESCO.

A cerimônia que contou com a presença de cerca de 800 participantes. Durante a sessão, que segue até o dia 20, o Comitê do Patrimônio Mundial examinará as candidaturas de 27 sítios para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Destes, nove são sítios naturais, 14 são sítios culturais e quatro são sítios mistos.

O comitê também revisará o estado de conservação de 108 sítios que já constam na Lista e 48 sítios que estão na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. A sessão é transmitida pelo site www.whc.unesco.org

Confira aqui as 27 nomeações que serão examinadas e todas as informações sobre a reunião.