Conhecimento sobre prevenção à AIDS permanece baixo, dizem jovens ao UNAIDS

Embora os números de novas infecções por HIV e mortes relacionadas à AIDS entre jovens tenham diminuído globalmente, em muitos lugares o conhecimento sobre a prevenção permanece preocupantemente baixo. Na ocasião do Dia Mundial da Juventude, lembrado no último sábado (12), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) conversou com quatro jovens de diferentes países, incluindo Brasil, sobre os desafios que enfrentam em relação ao tema. Leia a reportagem.

Laço vermelho, símbolo da luta contra a Aids. Foto: CC/Sham Hardy

Laço vermelho, símbolo da luta contra a AIDS. Foto: Sham Hardy (CC)

Embora os números de novas infecções por HIV e mortes relacionadas à AIDS entre jovens tenham diminuído globalmente, em muitos lugares o conhecimento sobre a prevenção permanece preocupantemente baixo. Antes do Dia Mundial da Juventude, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) conversou com quatro jovens de diferentes países sobre os desafios que enfrentam em relação ao tema.

Pavel Gunaev tem 16 anos e vive em São Petersburgo, onde faz parte da rede de jovens e adolescentes vivendo com HIV Teenergizer!. Ele afirma que os jovens de sua cidade não estão conscientizados sobre o vírus.

“Não se fala sobre AIDS e, com isso, os jovens não conhecem os riscos ou as formas de se proteger do HIV”, deckara. “Como resultado, muitos jovens desinformados estão agindo e tomando decisões baseadas em rumores”, completa. Pavel acredita que se todos trabalharem mais para informar adolescentes e jovens e dissipar mitos em torno do HIV, o fim da AIDS será possível.

Chinmay Modi nasceu com HIV há vinte e três anos. Ele é membro da Coalizão Nacional de Pessoas Vivendo com HIV na Índia e ponto focal do país para a Rede Youth LEAD Asia Pacific.

“O maior problema é aumentar a conscientização e dar aos jovens informações apropriadas para suas idades”, afirma. Na sua opinião, os pais não estão confortáveis em conversar com seus filhos sobre sexo, e a sociedade também se afasta deste debate. Como consequência, os jovens estão tendo relações sexuais e experimentando coisas novas, mas com pouco conhecimento dos riscos envolvidos.

“Os preservativos precisam ser promovidos e os parceiros devem apoiar o empoderamento dos jovens para que todos sejam responsabilizados”, diz Chinmay. Ele também está frustrado porque, na Índia, as pessoas mais jovens não podem acessar os serviços de saúde do HIV sem estigmas.

Na opinião dele, o estigma em relação a si mesmo dificulta os esforços de combate à discriminação, a violência e as desigualdades relacionadas ao HIV. É por isso que ele quer que mais pessoas compartilhem suas histórias sobre o fato de serem soropositivas.

Moisés Maciel concorda. Ele tem 20 anos e é ativista das causas LGBTI e HIV. Tornou-se membro da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/AIDS no Brasil depois de descobrir seu estado sorológico positivo para o HIV há dois anos. Desde então, embarcou em uma jornada contra o estigma e tem motivado seus colegas a se testar.

Os jovens ainda continuam em grande risco de infecção pelo HIV por diversos fatores como as questões sociais como marginalização de grupos sociais e raciais e de gênero como as pessoas transsexuais e jovens gays, principalmente.

“Os jovens ainda continuam em grande risco de se infectarem por HIV por diversos fatores, como marginalização social relacionada a gênero e desigualdades raciais”, afirmou. “No Brasil, jovens trans e homossexuais são particularmente visados”, explica.

Ele afirma que o preconceito ainda prevalece, apesar de as pessoas HIV positivas viverem vidas saudáveis ​​com a ajuda do tratamento antirretroviral. “Devemos começar a falar aos jovens de forma aberta e responsável sobre sexualidade, infecções sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e responsabilidades da vida”, declara Moisés.

Lorraine Anyango, uma advogada de saúde e direitos da juventude de Boston, nos Estados Unidos, trabalha para assegurar que as vozes dos jovens, especificamente em relação ao HIV, sejam ouvidas.

“Os jovens continuam a ser excluídos de espaços e discussões sobre questões que afetam suas vidas”, diz Lorraine. “Sua autonomia como seres humanos individuais continua a ser ignorada, deixando-os suscetíveis ao risco da infecção por HIV”.

Na opinião dela, a participação dos jovens em decisões que afetam sua saúde pode contribuir para fortalecer a responsabilização no nível nacional, garantindo que os programas respondam efetivamente às suas necessidades. Lorraine conclui: “reconhecer a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos da juventude e continuar a conversa sobre o HIV nos aproximará do fim da AIDS até 2030”.