Conheça a história inspiradora de 8 mulheres refugiadas

Mulheres e meninas sofrem diariamente discriminação e violência simplesmente por conta de seu gênero. Cerca de 50% das pessoas deslocadas à força são mulheres.

Conheça oito histórias inspiradoras de mulheres que foram forçadas a deixar tudo para trás, mas estão determinadas a reconstruir suas vidas. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Arte: ACNUR

Arte: ACNUR

Mulheres e meninas sofrem diariamente discriminação e violência simplesmente por conta de seu gênero. Cerca de 50% das pessoas deslocadas à força são mulheres.

Um dos compromissos da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas.

No Dia Internacional da Mulher, a agência das Nações Unidas celebra a força, resiliência e determinação de mulheres e meninas refugiadas em todo o mundo.

Conheça oito histórias inspiradoras de mulheres que foram forçadas a deixar tudo para trás, mas estão determinadas a reconstruir suas vidas:

1. Saleema, Afeganistão

A afegã Saleema. Foto: ACNUR

A afegã Saleema. Foto: ACNUR

A jovem Saleema cresceu em uma comunidade de refugiados turquemenos no noroeste do Paquistão, onde enfrentou uma batalha interminável em busca de educação.

Mas ela não estava sozinha. Seu pai, que fugiu do Afeganistão aos 13 anos, estava ao seu lado a cada passo. Aos 28 anos, Saleema tornou-se a primeira médica refugiada turquemena no Paquistão.

“Tenho o dever de ajudar as mulheres. Me sinto muito sortuda. Na minha comunidade, muitas meninas não têm essa oportunidade. Eu acho que estava escrito no meu destino”, afirma.

2. Nakout, Uganda

A ugandense Nakout. Foto: ACNUR

A ugandense Nakout. Foto: ACNUR

Nakout nasceu em Uganda e adorava assistir partidas de futebol ao lado do marido e amigos. Sua vida mudou para sempre quando homens armados invadiram sua casa, assassinaram seu marido e a levaram como prisioneira.

Depois de 12 anos de muitos abusos, ela conseguiu escapar do sequestro, fugiu de Uganda e encontrou segurança na Finlândia. Nakout voltou a sorrir, mas seu coração ainda dói quando pensa nos filhos que nunca mais viu e que estão a cerca de 7.000 km de distância.

3. Margetu, Etiópia

A etíope Margetu. Foto: ACNUR

A etíope Margetu. Foto: ACNUR

Quando ainda era bebê e morava na Etiópia, Margetu perdeu a visão por razões desconhecidas. Aos 7 anos, fugiu com sua família para o Quênia para escapar de combates nas regiões central e sul da Etiópia. Eles encontraram refúgio no campo de Kakuma, onde vivem desde 2013. Lá, a família recebe apoio do ACNUR.

Na escola, Margetu tem uma máquina em braile que usa para participar das atividades, mas ela nem sempre funciona muito bem. Mas isso não é um obstáculo. Sua paixão e dedicação fizeram dela a melhor aluna de sua classe. Margetu quer ser advogada porque acredita que “como advogada, você pode ficar ao lado da verdade e de todos aqueles que precisam de ajuda”.

4. Zaida, Venezuela

A venezuelana Zaida. Foto: ACNUR

A venezuelana Zaida. Foto: ACNUR

Zaida, de 49 anos, chegou ao Brasil em setembro de 2018 com poucos pertences, mas muitos conhecimentos. Bióloga de formação e doutora em ciências da educação, ela se tornou a primeira refugiada venezuelana a ter o seu diploma revalidado no Brasil.

“Agora vou poder retribuir tudo o que o Brasil fez por mim, ensinando tudo o que aprendi”, disse. A história de Zaida é uma esperança para centenas de refugiados e migrantes venezuelanos com ensino superior que moram no Amazonas.

5. Maya, Síria

A síria Maya. Foto: ACNUR

A síria Maya. Foto: ACNUR

Maya cresceu em Damasco e sonhava em trabalhar como diplomata. Em 2011, quando o conflito da Síria começou, tudo mudou. A vida de sua família ficou cada vez mais difícil. Seu pai foi para a Grã-Bretanha como solicitante de refúgio e, em 2015, o resto da família se juntou a ele graças a um programa de reunião familiar.

Apesar de estar em segurança, o recomeço na Inglaterra não foi fácil. Maya foi recusada por muitas escolas e o sonho de se tornar diplomata não existia mais. Certo dia, inspirada pelos aviões que viu em um aeroporto, ela decidiu seguir um novo caminho: estudar engenharia da aviação e treinar para ser uma piloto comercial. Maya é uma piloto em treinamento, mas já se destaca como uma grande porta-voz da causa do refúgio.

6. Lucia, República Democrática do Congo

A congolesa Lucia. Foto: ACNUR

A congolesa Lucia. Foto: ACNUR

Aos 17 anos, Lúcia levava uma vida protegida em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC). A vida da família congolesa era como a de muitas outras famílias de classe média na RDC e a pobreza era algo distante.

Mas um dia tudo mudou. Fugindo de ameaças de morte e perseguição política, seus pais decidiram que a única alternativa para a família era fugir com a roupa do corpo, em busca de segurança. O recomeço foi muito difícil “Por mais de um ano, nós dependíamos da ajuda das pessoas para comer e nos vestir.”

Certo dia, Lucia e sua irmã foram convidadas para participar do Empoderando Refugiadas, um projeto de empregabilidade apoiado pelo ACNUR. Isso mudou a vida de toda a família. “Me encaminharam para um curso de atendimento e depois fui contratada. Minha irmã também.” Hoje Lucia trabalha como caixa em uma loja de departamento. Ela é formada em Recursos Humanos e faz uma pós em Psicologia Organizacional.

7. Zahida, Mianmar

A birmanesa Zahida. Foto: ACNUR

A birmanesa Zahida. Foto: ACNUR

Zahida é uma refugiada rohingya que vive em um campo de refugiados em Bangladesh desde que tinha apenas um ano e meio de idade. Assim como os milhares de refugiados rohingya que deixam Mianmar todos os anos, Zahida sabe o quanto a jornada em busca de segurança é difícil.

Por isso, ela decidiu ajudar refugiados a chegarem em Bangladesh e financia o resgate de seus barcos quando encalham no rio Naf, na fronteira com Mianmar. Zahida já ajudou cerca de 350 pessoas e se depender dela, ajudará muitas mais.

8. Gabriela, Venezuela

A venezuelana Gabriela. Foto: ACNUR

A venezuelana Gabriela. Foto: ACNUR

Gabriela Peña fugiu da fome, da escassez generalizada e da repressão política em sua terra natal, a Venezuela. Ela buscou segurança em Roraima, mas não conseguia encontrar o trabalho que precisava desesperadamente para se sustentar.

Ela se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas por conta de um acidente de infância que a deixou paralisada da cintura para baixo. A sorte de Gabriela mudou depois que ela, sua mãe e seu marido foram transferidos de Boa Vista para São Paulo. Em solo paulista, ela foi contratada pelo departamento de Recursos Humanos de um laboratório de diagnósticos e está esperando o primeiro filho.