Congolês usa tecnologia de criptografia para empoderar mulheres em campo de refugiados no Malauí

Congolês crescido no Malauí e hoje vivendo na Noruega, o inovador social Olivier Mukuta está trabalhando para criar soluções de tecnologia blockchain para ajudar a empoderar mulheres em países que enfrentam crises humanitárias.

Mukuta e sua equipe desenvolveram o VipiCash, aplicativo que realiza transferências financeiras seguras entre mulheres, para que elas possam ter acesso a recursos e controlar seu próprio dinheiro, independentemente dos homens de sua família.

Olivier Mukuta. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown

Olivier Mukuta. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown

Congolês crescido no Malauí e hoje vivendo na Noruega, o inovador social Olivier Mukuta está trabalhando para criar soluções de tecnologia blockchain  — a mesma usada para criar a moeda digital bitcoin — para ajudar a empoderar mulheres em países que enfrentam crises humanitárias.

Blockchain é um banco de dados descentralizado e compartilhado entre vários agentes. Mukuta e sua equipe foram um dos vencedores do primeiro “blockchain hackathon”, organizado pela ONU Mulheres e pela organização Inovação Noruega em julho de 2017. Eles desenvolveram o VipiCash, aplicativo que usa blockchain para realizar transferências financeiras seguras entre mulheres, para que elas possam ter acesso a recursos e controlar seu próprio dinheiro, independentemente dos homens de sua família.

Em janeiro de 2018, Mukuta participou de um laboratório de quatro dias organizado pela ONU Mulheres e pelo Escritório de Tecnologias da Informação e Comunicação da ONU (UNOICT) para explorar soluções inovadoras baseadas em blockchain com o objetivo de enfrentar desafios de mulheres e meninas em crises humanitárias.

“Eu sempre digo que vivi três vidas. Nasci no Congo, cresci no Malauí, em um campo de refugiados, e então minha família se mudou para a Noruega quando eu tinha 18 anos”, contou Mukuta. “Na Noruega, tanto meu pai como eu trabalhávamos e recebíamos bons salários, e enviávamos dinheiro de volta para ajudar nossos amigos no campo de refugiados. Mas achávamos que o dinheiro não estava sendo bem utilizado. Eu dizia para os meus amigos que o dinheiro era para escola, mas aí eu descobria que estava sendo utilizado para outras coisas. Foi frustrante”.

“No Malauí, minha mãe era cabeleireira. Muitas mulheres a procuravam para melhorar seu estilo, claro que algumas pagavam. Mas o problema era que, sempre que há dinheiro na jogada, isso cria uma questão entre homens e mulheres no campo de refugiados. Cria-se um conflito. Os homens eram chefes de família em sua terra natal, mas os papéis estavam mudando”, explicou.

Segundo Mukuta, isso não ocorria somente em sua família. “Em algumas, havia brigas porque o homem queria usar o dinheiro para algo que não era prioridade. Isso me deu uma ideia. E se tivéssemos uma solução na qual os recursos só pudessem ser administrados pelas mulheres?”.

“Inventamos o VipiCash. Posso enviar dinheiro para minha tia ou família e amigos e destiná-lo para um serviço específico, como mensalidades escolares ou supermercado. O dinheiro só pode ser administrado pela minha tia porque ela sabe o que é melhor para as crianças.”

O aplicativo também permite realizar transações financeiras sem taxas. “A tecnologia blockchain nos permite cortar esses custos e, ao mesmo tempo, garantir que a transação seja transparente e os doadores sempre sabem o que aconteceu com o dinheiro”.

“Um dos nossos sonhos é ajudar mulheres a administrar seus próprios negócios por meio do VipiCash. Queremos criar um mercado exclusivo para mulheres. Buscamos com isso criar um movimento de mulheres”, concluiu.

O trabalho de Mukuta se relaciona com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5, que inclui uma meta sobre direito igualitário das mulheres aos recursos econômicos. Também se relaciona ao ODS 8, que pretende atingir o trabalho decente total e produtivo para todas as mulheres e homens; e o ODS 9, que prevê impulso à inovação e acesso à tecnologia.