Confrontos armados no oeste da Colômbia deixam 13 mil pessoas em risco, alerta ACNUR

Cerca de 6 mil colombianos tiveram de abandonar seus lares para fugir da violência e outros 7 mil estariam sendo vítimas de violações dos direitos humanos, como confinamento e restrição da liberdade de movimento. Agência da ONU para Refugiados pediu às partes que garantam segurança de civis.

Imagem de 2009 mostra indígenas do povo Embera deslocados pela violência em Baudó, na região de Chocó, na Colômbia. Foto: ACNUR / M. H. Verney

Imagem de 2009 mostra indígenas do povo Embera deslocados pela violência em Baudó, na região de Chocó, na Colômbia. Foto: ACNUR / M. H. Verney

Nos últimos dois meses, mais de 6 mil pessoas foram forçadas a abandonar seus lares no oeste da Colômbia devido a conflitos armados entre grupos ilegais que disputam territórios no departamento de Chocó. Outros 7 mil indivíduos teriam sido vítimas de violações como confinamento e restrição da liberdade de movimento.

Os números foram divulgados na última sexta-feira (13) pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que expressaram “preocupação crescente” com os riscos enfrentados pela população.

Os atuais confrontos estão concentrados em torno dos rios Baudó — nas comunidades do Alto, Médio e Baixo Baldó —, Atrato — comunidades do Baixo e Médio Atrato — e San Juan, no litoral. Até o momento, deslocamentos têm afetado principalmente afro-colombianos e povos indígenas.

Para esse contingente — deslocado tanto por novos combates, quanto por tensões já em curso no contexto da guerra civil colombiana —, o acesso a meios de subsistência, incluindo pesca, caça e agricultura, foi proibido e seus filhos já não podem ir à escola.

A dimensão da crise tem sobrecarregado a capacidade das autoridades locais para responder às necessidades básicas dos colombianos, como alimentação, saúde, abrigo e apoio psicológico. Por essa razão, muitas pessoas têm retornado aos locais que abandonaram sem garantias de segurança e dignidade, correndo novos riscos.

O ACNUR está trabalhando junto ao governo da Colômbia e a outras agências humanitárias para levar ajuda de emergência e apoio logístico às comunidades deslocadas.

Atualmente, o Estado colombiano está nos estágios finais das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) — a principal força de guerrilha no país — e anunciou recentemente o início de negociações formais com outro grupo — o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Os diálogos de paz foram iniciados em 2012 e têm como objetivo pôr fim a mais de 50 anos de conflito armado, responsáveis pelo deslocamento interno de 7 milhões de pessoas e pela fuga de 350 mil refugiados colombianos que vivem principalmente no Equador e na Venezuela.

Além de divulgar novos dados, o ACNUR também fez um apelo a todas as partes do conflito para que garantam a segurança da população civil, com o objetivo de prevenir que este público seja mais profundamente afetado.

Segundo a agência das Nações Unidas, é essencial que os envolvidos cumpram todas as suas obrigações dentro do escopo do direito internacional humanitário. Isso inclui o não estabelecimento de bases militares em locais próximos aos assentamentos civis e a garantia de que bombardeios não sejam realizados nessas áreas.

Também é fundamental abordar as causas estruturais do deslocamento, incluindo o controle territorial e a disputa pelos recursos existentes.

O ACNUR destacou ainda que acabar com o deslocamento forçado de colombianos internamente deslocados e refugiados é uma das condições para estabelecer uma paz duradoura no país, bem como para assegurar a recuperação econômica. A agência e o ACNUDH reafirmaram que continuarão presentes na Colômbia, atuando em cooperação com o governo para acompanhar de perto as populações afetadas.