Conflitos ocupam lugar da seca como a principal causa de deslocamento na Somália, afirma ACNUR

Violência e insegurança levaram mais de oito mil pessoas a deixar a capital, Mogadíscio, em outubro; enquanto a seca motivou a fuga de 500 pessoas.

Criança somali recebe injeção em campo de refugiados no Quênia.Insegurança e conflitos são atualmente as principais causas de deslocamento em Mogadíscio, capital da Somália, afetando mais de oito mil pessoas no mês de outubro. O dado revela uma situação distinta dos três primeiros trimestres do ano, quando a seca era a principal causa das fugas.

A afirmação foi feita nesta terça-feira (29/11) pelo porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Andrej Mahecic. Ele informou que 500 pessoas deixaram suas casas por conta da seca no último mês.

Segundo Mahecic, no entanto, o conflito e as atividades militares também estão prejudicando o acesso da população a alimentos em outras regiões da Somália. Centenas de pessoas deixaram suas casas e estão viajando a pé para as fronteiras com outras cidades. O ACNUR observou que o deslocamento continua apesar das chuvas torrenciais que limitaram o movimento no sul e no centro do país. Apesar disso, muitas pessoas estão relutantes em se deslocar, temendo emboscadas ou tiroteios.

Os conflitos e a insegurança também estão afetando os campos de refugiados no Quênia. Funcionários da ONU relatam que não têm conseguido avaliar o número e as condições de novos refugiados no complexo de Dadaab. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), assim como o ACNUR, já demonstraram preocupação com o anúncio feito pelo grupo insurgente Al-Shabaab de que iria revogar permanentemente as permissões de trabalho de diversas agências da ONU nas regiões da Somália controladas por ele. O UNICEF e a OMS relataram que seus escritório foram invadidos e ocupados.