Conflitos e pobreza generalizada atrasam progressos nos índices de educação, alerta UNICEF

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Níveis generalizados de pobreza, conflitos prolongados e emergências humanitárias complexas levaram à estagnação na redução da taxa global de crianças fora da escola na última década. Dos 123 milhões de crianças que estão fora da escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito.

Menina de 11 anos perdeu a perna esquerda em um ataque suicida em um assentamento para pessoas internamente deslocadas (IDP) na região do Lago Chade. Depois de três meses em um hospital, ela está tentando começar de novo. Foto: UNICEF/Bahaji

Menina de 11 anos perdeu a perna esquerda em um ataque suicida em um assentamento para pessoas internamente deslocadas (IDP) na região do Lago Chade. Depois de três meses em um hospital, ela está tentando começar de novo. Foto: UNICEF/Bahaji

Níveis generalizados de pobreza, conflitos prolongados e emergências humanitárias complexas levaram à estagnação na redução da taxa global de crianças fora da escola na última década, levando o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) a pedir mais investimentos.

Com 11,5% das crianças em idade escolar (123 milhões) sem acesso à escola atualmente, em comparação com 12,8% (135 milhões) em 2007, a porcentagem de crianças de 6 a 15 anos fora da escola diminuiu muito pouco na última década, de acordo com o UNICEF.

“Os investimentos destinados a aumentar o número de escolas e professores conforme o crescimento da população não são suficientes”, disse a chefe de Educação do UNICEF, Jo Bourne.

As crianças que vivem nos países mais pobres do mundo e em zonas de conflito são afetadas desproporcionalmente. Dos 123 milhões de crianças que estão fora da escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito.

O UNICEF aponta que a guerra continua a ameaçar – e reverter – ganhos educacionais.

Os conflitos no Iraque e na Síria resultaram em mais 3,4 milhões de crianças sem acesso à educação, elevando o número de crianças fora da escola em todo o Oriente Médio e Norte da África para aproximadamente 16 milhões, o mesmo registrado em 2007.

Com os altos níveis de pobreza, o crescimento acelerado das populações e as emergências recorrentes, a África Subsaariana e o Sul da Ásia abrigam 75% das crianças fora da escola primária e secundária.

“Os governos e a comunidade global devem direcionar seus investimentos para eliminar os fatores que impedem essas crianças de irem a escola, em primeiro lugar, inclusive criando escolas seguras e melhorando o ensino e a aprendizagem”, acrescentou ela.

No entanto, alguns progressos foram alcançados.

A Etiópia e o Níger, que se encontram entre os países mais pobres do mundo, apresentaram o maior progresso da taxa de matrícula em crianças em idade escolar primária, com aumentos de cerca de 15% e 19%, respectivamente.

“A aprendizagem fornece alívio para as crianças afetadas por emergências no curto prazo, mas também é um investimento crítico no futuro desenvolvimento das sociedades no longo prazo”, ressaltou Bourne.

Na primeira metade de 2017, o UNICEF recebeu apenas 12% do financiamento necessário para proporcionar educação para crianças que vivem em regiões de crises. São necessários mais fundos para abordar a multiplicidade e complexidade das crises e dar às crianças a estabilidade e as oportunidades que merecem, destacou a agência da ONU.


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