Conflitos armados deixam 25 milhões de crianças fora da escola, diz UNICEF

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Em 22 países, conflitos armados e violência deixam mais de 25 milhões de crianças de seis a 15 anos fora da escola. O número equivale a 22% do total de jovens nesta faixa etária. É o que revela um novo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado na terça-feira (25). Segundo a agência da ONU, meninas são desproporcionalmente afetadas pelo abandono escolar motivado por guerras.

A refugiada síria e ativista pela educação, Muzoon Almellehan, visita

A refugiada síria e ativista pela educação, Muzoon Almellehan, visita

Em 22 países, conflitos armados e violência deixam mais de 25 milhões de crianças de seis a 15 anos fora da escola. O número equivale a 22% do total de jovens nesta faixa etária. É o que revela um novo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado na terça-feira (25). Segundo a agência da ONU, meninas são desproporcionalmente afetadas pelo abandono escolar motivado por guerras.

Atualmente, o Sudão do Sul é o país com o maior índice de evasão – 72% das crianças não frequentam a rede de ensino. A nação é seguida pelo Chade (50%) e pelo Afeganistão (46%).

Os três Estados-membros também possuem as maiores proporções de jovens mulheres excluídas dos sistemas de educação – 76% das meninas não frequentam o colégio no Sudão do Sul, 55% no Afeganistão e 53% no Chade. Neste último país, programas de educação do UNICEF têm apenas 40% dos recursos necessários para 2017.

Quando considerada as etapas finais do Ensino Fundamental II, os valores mais altos de abandono escolar, para meninos e meninas, são registrados no Níger (68%), no Sudão do Sul (60%) e na República Centro-Africana (55%). Neste segmento, os índices para a evasão das alunas mulheres se agravam – quase 75% não estudam no Níger e duas em cada três estão fora da escola tanto no Afeganistão quanto na República Centro-Africana.

Para conscientizar o público sobre a necessidade de investimentos em programas de aprendizado, o a agência da ONU se uniu à refugiada síria Muzoon Almellehan, que deixou seu país de origem há quatro anos carregando apenas seus livros didáticos. Hoje, com 19 anos, ela se tornou uma ativista pelo direito de todos os jovens à educação.

Depois de deixar a guerra, Muzoon passou um ano e maio no campo de Za’atari, na Jordânia, onde ia de tenda em tenda conversar com as famílias para que deixassem seus filhos frequentar os centros de ensino do acampamento. Ela ficou conhecida como a “Malala da Síria” e, posteriormente, viajou para outros países afetados pela violência, como Chade e Nigéria.

“Conflitos podem levar embora seus amigos, sua família, seus meios de sobrevivência, sua casa. Podem tentar arrancar sua dignidade, sua identidade, orgulho e esperança. Mas jamais poderão tirar seu conhecimento”, afirma a refugiada síria.

“Conhecer crianças no Chade que haviam fugido do Boko Haram me lembro das minhas próprias experiências na Sìria. A educação me deu a força para continuar. Sem ela, eu não estaria aqui”, acrescenta.

Para reverter o cenário de exclusão, o UNICEF conta com programas de supletivos e educação acelerada, além de liberar verba para a reforma de escolas e para a distribuição de material escolar, incluindo mobília.

No Chade, até abril deste ano, o organismo internacional já havia entregue materiais de aprendizado para mais de 58 mil alunos. Insumos de ensino também foram disponibilizados para mais de 760 professores. O UNICEF também ajudou a construir salas de aula, banheiros, quadras esportivas e espaços escolares. Outra frente de assistência foi o financiamento do salário de 327 professores para o ano letivo 2016-2017.


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