Conflito no leste da Ucrânia já deixou quase 8 mil mortos, revela relatório da ONU

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra´ad Al Hussein, pediu mais esforços para proteger os civis e colocar um fim nas hostilidades, segundo o acordo de cessar-fogo assinado em fevereiro.

 Nikita, uma menina de cinco anos, na janela de sua casa na cidade de Pervomaysk em Donetsk Oblast. Foto: UNICEF/Volpi

Nikita, uma menina de cinco anos, na janela de sua casa na cidade de Pervomaysk em Donetsk Oblast. Foto: UNICEF/Volpi

O número de mortes no leste da Ucrânia dobrou entre os meses de maio e agosto em comparação com os três meses anteriores, de acordo com o relatório da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU divulgado nesta terça-feira (08). O conflito, que começou em meados de abril de 2014, deixou até agora 7.962 pessoas mortas, incluindo civis, militares e membros de grupos armados, além de 17.811 feridos.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra´ad Al Hussein, disse à imprensa que o bombardeio de áreas residenciais em ambos os lados da linha de frente causou um aumento preocupante no número de mortes civis. O acesso à água e comida é limitado e há restrições ao transporte de cargas, como medicamentos e alimentos, por questões de segurança. Zeid pediu mais esforços para proteger os civis e colocar um fim nas hostilidades, segundo o acordo de cessar-fogo assinado em fevereiro.

O relatório ressalta que a população não tem permissão para sair da zona de conflito e deve permanecer em zonas de risco. A licença de circulação criada pelo governo ucraniano continua restringindo a liberdade de muitas pessoas, já que elas precisam enfrentar longas filas nos postos de verificação. A maioria opta por rotas alternativas para conseguir sair de áreas sitiadas, de acordo com o estudo das Nações Unidas.

Outra denúncia são os casos de torturas, maus-tratos, violência sexual, sequestros, trabalho forçado e extorsão nos territórios controlados pelo grupo ‘República Popular de Donetsk’ e ‘República Popular de Lugansk’. O relatório também destaca a presença e o fluxo contínuo de combates estrangeiros e armamento pesado enviado da Rússia.