Conflito no Iraque afeta 1 em cada 4 crianças do país, diz UNICEF

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A miséria e a guerra fizeram com que 3 milhões de jovens iraquianos abandonassem a escola — alguns deles nunca colocaram os pés numa sala de aula. Mais de um quarto de todos os menores vivem na pobreza, sobretudo no sul e nas zonas rurais do país. UNICEF conduz na nação uma de suas maiores operações humanitárias.

Criança recebe vacina contra a rubéola em posto de saúde do governo iraquiano apoiado pelo UNICEF. Foto: UNICEF/Lindsay Mackenzie

Criança recebe vacina contra a rubéola em posto de saúde do governo iraquiano apoiado pelo UNICEF. Foto: UNICEF/Lindsay Mackenzie

No Iraque, mais de 4 milhões de jovens — o que representa 25% de todas as crianças e adolescentes do país — foram afetadas de alguma forma por conflitos armados. A estimativa foi divulgada recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que conduz na nação uma de suas maiores operações humanitárias.

“Apenas no ano passado, 270 crianças foram mortas”, afirmou o diretor regional da agência da ONU, Geert Cappelaere. A miséria e a guerra fizeram com que 3 milhões de jovens abandonassem a escola — alguns deles nunca colocaram os pés numa sala de aula. Mais de um quarto de todos os menores iraquianos vivem na pobreza, sobretudo no sul e nas zonas rurais do país.

Segundo o UNICEF, essas crianças têm “suas infâncias roubadas” e muitas vão carregar, “por toda a vida, as marcas físicas e psicológicas da exposição a uma brutalidade sem precedentes”. Outro problema é o deslocamento forçado — mais de 1 milhão de menores foram obrigados a deixar suas casas.

No início de fevereiro (7), a agência da ONU alertou para o estado “alarmante” do sistema de saúde do Iraque. Na província de Ninewah, por exemplo, menos de 10% das instalações médicas funcionam em capacidade operacional plena. No departamento, 750 mil crianças têm dificuldade em receber atendimento básico.

“Para mulheres grávidas, recém-nascidos e crianças, problemas preveníveis e tratáveis podem rapidamente se transformar em uma complicação de vida ou morte”, frisou Peter Hawkins, representante do UNICEF no Iraque, lembrando que centros de saúde estão sobrecarregados e o país enfrenta uma escassez de remédios. Desde a escalada de violência em 2014, mais de 60 hospitais foram repetidamente atacados.

Em Mossul, o UNICEF reformou alas pediátricas e nutricionais de dois centros médicos, fornecendo refrigeradores para o armazenamento de até 250 mil vacinas. A agência da ONU também apoiou campanhas de imunização para todas as crianças com menos de cinco anos de idade.

Na próxima semana, a comunidade internacional se reunirá no Kuwait para uma conferência sobre a reconstrução do Iraque. Para o UNICEF, o encontro é uma ocasião única para colocar as crianças no centro dos esforços para reerguer o país. Atualmente, a agência precisa de 17 milhões de dólares para reconstruir clínicas ao longo de 2018.


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