Conflito no Iêmen já deslocou mais de 3 milhões, diz relatório da ONU

Novo relatório divulgado na segunda-feira (22) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que o conflito no Iêmen já resultou no deslocamento de 3,15 milhões de pessoas, das quais 2,2 milhões continuam deslocadas em todo o país e 949,5 mil tentam voltar para casa.

Abrigos para deslocados em Khamer, na província de Amran. Foto: OCHA/Philippe Kropf

Abrigos para deslocados em Khamer, na província de Amran. Foto: OCHA/Philippe Kropf

Novo relatório divulgado na segunda-feira (22) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que o conflito no Iêmen já resultou no deslocamento de 3,15 milhões de pessoas, das quais 2,2 milhões continuam deslocadas em todo o país e 949,5 mil tentam voltar para casa.

De acordo com a representante adjunta do ACNUR no Iêmen, Ita Schuette, devido à escalada da violência no país e em consequência do agravamento das condições humanitárias, o deslocamento em todo o Iêmen aumentou cerca de 7% desde abril, com 152 mil pessoas fugindo dos conflitos durante o período.

“A crise está forçando muitas pessoas a deixar suas casas em busca de segurança”, disse Schuette, em comunicado à imprensa divulgado na última sexta-feira (19).

O relatório, preparado pelo Grupo de Trabalho sobre o Movimento da População — um grupo técnico conduzido pelas duas agências como parte da resposta humanitária à crise no Iêmen —, observou ainda que houve um aumento de 24% no número de pessoas que tentam voltar para casa, com cerca 184,5 mil indivíduos. O movimento de retorno é relacionado às épocas de calmaria percebidas no conflitos.

“Deslocados internos repatriados são considerados dentro do ciclo de deslocamento quando eles ainda não alcançam uma reintegração sustentável e quando suas necessidades continuam elevadas”, disse o chefe da Missão do OIM para o Iêmen, Laurent De Boeck.

O estudo observou também que o deslocamento prolongado afetou negativamente nas comunidades de acolhimento das populações deslocadas, aumentando substancialmente as pressões sobre os recursos já escassos. Muitos deslocados, cerca de 62%, são hospedados por familiares e amigos, enquanto outros estão usando abrigos inadequados.

A duração média do tempo em que as pessoas passam longe de casa também aumentou devido à continuação dos conflitos. A maioria dos refugiados — cerca de 89% — permaneceu deslocado por mais de dez meses.

O relatório também inclui dados sobre o deslocamento devido a desastres naturais: no momento, 24,7 mil pessoas continuam deslocadas em virtude de incidentes como ciclones e inundações.

Ao todo, somando os deslocados à custa dos conflitos e de desastres naturais, 8% da população do Iêmen agora permanece deslocada.