Conflito na República Democrática do Congo aumenta complexidade de resposta ao ebola, diz OMS

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Proteger pessoas vulneráveis no leste da República Democrática do Congo (RDC) do mais novo surto de ebola no país será “muito complexo”, dados os enormes desafios logísticos e o conflito em andamento na região, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na sexta-feira (3).

“Sabemos, por exemplo, que houve cerca de 20 mortes”, disse Peter Salama, vice-diretor-geral de preparação e resposta de emergência, a jornalistas em Genebra.

“Não podemos, neste ponto, confirmar se foram todos casos confirmados ou prováveis de ebola”, acrescentou. “Esperamos, no entanto, que os números aumentem nas próximas semanas, com base na trajetória da epidemia neste ponto de desenvolvimento”.

Equipe da OMS e população local abrem caminho para levar vacina contra o ebola a comunidades remotas na República Democrática do Congo. Foto: OMS

Equipe da OMS e população local abrem caminho para levar vacina contra o ebola a comunidades remotas na República Democrática do Congo. Foto: OMS

Proteger pessoas vulneráveis no leste da República Democrática do Congo (RDC) do mais novo surto de ebola no país será “muito complexo”, dados os enormes desafios logísticos e o conflito em andamento na região, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na sexta-feira (3).

“Sabemos, por exemplo, que houve cerca de 20 mortes”, disse Peter Salama, vice-diretor-geral de preparação e resposta de emergência, a jornalistas em Genebra.

“Não podemos, neste ponto, confirmar se foram todos casos confirmados ou prováveis de ebola”, acrescentou. “Esperamos, no entanto, que os números aumentem nas próximas semanas, com base na trajetória da epidemia neste ponto de desenvolvimento”.

Em coletiva de imprensa apenas uma semana depois de a agência ter declarado o fim do último surto de ebola no país, na província de Equateur, Salama disse que a OMS não estava ciente de uma emergência de saúde pública na província de Kivu do Norte naquele momento.

O surto no oeste do país em junho infectou dezenas de pessoas e levou a 33 mortes. No entanto, apesar de diversos casos terem surgido em uma importante cidade no Rio Congo, o surto foi totalmente contido após resposta internacional e nacional.

O oficial da OMS disse que não havia evidências de ligação entre os dois surtos, apesar de ser provável que eles compartilhem a mesma cepa.

O número de mortes do atual surto em Kivu do Norte deve subir, disse o oficial da OMS, acrescentando que o alerta foi iniciado em 25 de julho depois que uma mulher e muitos membros de sua família morreram após exibir sintomas de ebola.

“Naquele evento, aparentemente uma mulher foi admitida em um hospital de Beni e posteriormente recebeu alta após se recuperar das reclamações iniciais”, disse. Depois de deixar o hospital, no entanto, ela apresentou febre e outros sintomas clinicamente consistentes com ebola e, mais tarde, sete de seus parentes mais próximos também contraíram a doença, salientou.

Salama explicou que o longo conflito no leste da República Democrática do Congo — envolvendo mais de 100 grupos armados na área de Kivu e em outros locais — criaram um nível adicional de dificuldade para tentar conter a doença mortal.

Na primeira semana de fevereiro deste ano em Beni, ataques deslocaram mais de 2,2 mil pessoas, além de 1,5 mil deslocadas no fim de janeiro. No território de Djugu, no sul da província de Kivu do Norte, a violência entre grupos étnicos fez com que mais de 30 mil pessoas tivessem que deixar suas casas rumo à capital da província, Bunia, no início do ano.

“Será uma operação muito, muito complexa”, disse, completando que o vasto país abriga a maior operação de paz da ONU, a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO).

Mais de 1 milhão do total de 8 milhões de habitantes da província estão deslocados e entrando em contato com pessoas em risco de terem contato com o ebola, o que demandará escola armada em alguns casos, explicaram os oficiais da OMS.

Há ainda a ameaça adicional de que aqueles que fogem da violência estejam se direcionando a Uganda, Tanzânia e Burundi, levando a infecção com eles, disse Salama, completando que medidas adicionais de vigilância estão sendo implementadas nas fronteiras.

“Em escala de dificuldade, tentar extinguir um surto patogênico mortal em uma zona de guerra está no topo das mais difíceis”, acrescentou.

No mais recente surto de ebola, uma parte essencial da resposta de emergência envolveu localizar qualquer pessoa que tivesse tido contato com pessoas suspeitas de ter o vírus. Funcionários da OMS tiveram que viajar longas distâncias em motocicletas para realizar esse trabalho, mas é provável que haja maior dificuldade desta vez diante dos altos níveis de insegurança nas províncias de Kivu.

Uma prioridade imediata é confirmar se o mais novo surto envolve a cepa Zaire do vírus, já que esta pode ser tratada com a mesma vacina empregada na província de Equateur.

“Temos uma boa e uma má notícia”, disse Salama. “A má é que essa cepa do ebola carrega consigo as maiores taxas de mortalidade de qualquer outra cepa do ebola, acima de 50%, de acordo com os surtos anteriores. Portanto, é a variante mais mortal do vírus, essa é a má notícia. A boa notícia é que temos uma vacina segura e efetiva — apesar de ainda se tratar de um produto experimental —, que conseguimos mobilizar no último surto”.


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