‘Conflito entrou novamente numa fase perigosa’, alerta ONU sobre tensões entre Israel e Palestina

Desde o início do mês até a última quarta-feira (21), foram registrados ataques que causaram a morte de 47 palestinos e sete israelenses. Mais de 5 mil palestinos e cerca de 70 israelenses ficaram feridos.

Mulheres palestinas caminham próximo ao muro construído por Israel na região, perto de Ramallah, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

Mulheres palestinas caminham próximo ao muro construído por Israel na região, perto de Ramala, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, condenou nesta quinta-feira (22) as hostilidades entre palestinos e israelenses e afirmou que o conflito “entrou novamente numa fase perigosa”. Desde o início de outubro até a última quarta-feira (22), foram registrados ataques que provocaram a morte de 47 palestinos e sete israelenses. Nesse mesmo período, mais de 5 mil palestinos e cerca de 70 israelenses foram agredidos durante confrontos.

“A onda recente de ataques com facas e de tiroteios é particularmente terrível. Não pode haver justificativa para tais atos desprezíveis”, disse Eliasson. Para o vice-secretário, a situação da região teria se deteriorado principalmente porque palestinos estão perdendo a esperança na conquista de um Estado viável.

A economia precária, o desemprego, a falta de oportunidades, de segurança e de processos legais e administrativos, bem como “a ocupação sufocante e humilhante” sob a qual vivem há quase meio século, são outros fatores que geram descrença entre os palestinos. “Eles veem o crescimento dos assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, o que reduz a possibilidade de uma solução de dois Estados”, afirmou o vice-secretário.

Já os israelenses temem que os ataques recorrentes ameacem sua segurança e muitos, segundo Eliasson, também têm medo do crescimento do antissemitismo em escala global. “Quando confrontados com um clima de terror, os israelenses esperam certamente que suas autoridades reforcem a segurança”, explicou o vice-secretário. O representante da ONU, porém, alertou para os riscos de uma repressão violenta pelas forças de Israel a suspeitos de envolvimento nas hostilidades, o que pode alimentar as tensões.

O vice-secretário condenou os ataques a locais sagrados e elogiou a decisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que assegurou a manutenção do ‘status quo’ histórico em Haram Al-Sharif. Eliasson também criticou a ação de grupos militantes palestinos, como o Hamas, que se vangloriam por conseguirem agredir e matar inocentes. Para o representante das Nações Unidas, as lideranças tanto da Palestina, quanto de Israel devem combater a incitação e restaurar a esperança de seus cidadãos na possibilidade da paz.