Conflito da Síria entra em seu nono ano; crise humanitária ainda está longe do fim

Entrando em seu nono ano, o conflito na Síria provocou uma crise humanitária que ainda está longe do fim, disseram na quarta-feira (27) autoridades das Nações Unidas ao Conselho de Segurança. Atualmente, 11,7 milhões de pessoas precisam de proteção e assistência humanitária e mais de 5,6 milhões de sírios vivem como refugiados na região.

A chefe de Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, e o diretor sênior do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Ramesh Rajasingham, destacaram a membros do Conselho a crescente violência em Idlib, último enclave tomado por rebeldes, e em áreas próximas no noroeste do país.

Famílias deslocadas da área rural de Quneitra, sudoeste da Síria, para áreas próximas às colinas de Golã. Famílias estão buscando abrigo em áreas abertas e passam por necessidade de abrigo. Foto: UNICEF/Alaa Al-Faqir

Famílias deslocadas da área rural de Quneitra, sudoeste da Síria, para áreas próximas às colinas de Golã. Famílias estão buscando abrigo em áreas abertas. Foto: UNICEF/Alaa Al-Faqir

Entrando em seu nono ano, o conflito na Síria provocou uma crise humanitária que ainda está longe do fim, disseram na quarta-feira (27) autoridades das Nações Unidas ao Conselho de Segurança. Atualmente, 11,7 milhões de pessoas precisam de proteção e assistência humanitária e mais de 5,6 milhões de sírios vivem como refugiados na região.

Embora confrontos no país tenham diminuído, um número crescente de civis foi morto ou ferido nas semanas recentes.

A chefe de Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, e o diretor sênior do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Ramesh Rajasingham, destacaram a membros do Conselho a crescente violência em Idlib, último enclave tomado por rebeldes, e em áreas próximas no noroeste do país.

DiCarlo descreveu relatos de tiroteios, uso de morteiros e ataques aéreos; assim como ataques com foguetes e operações que afetam um acordo de 2018 entre Rússia e Turquia para limitar operações militares na área. O acordo criou uma zona neutra entre combatentes da oposição e as forças do governo sírio e seus aliados.

Aumento alarmante no número de mortos

Rajasingham disse ao Conselho que a região tem passado por um “salto alarmante em vítimas civis”. Apenas no mês passado, 90 pessoas foram mortas, sendo metade delas crianças. Ao menos 86 mil pessoas também foram deslocadas, segundo relatos, pela onda mais recente de violência. De acordo com relatos, centros de saúde e escolas foram atingidos.

A respeito da captura na semana passada do último território tomado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, DiCarlo alertou que o grupo ainda apresenta uma ameaça. A captura foi feita pelas Forças Democráticas Sírias, apoiadas por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

A chefe de Assuntos Políticos também ressaltou que milhares de civis que fogem de operações militares contra o Estado Islâmico foram ao acampamento de refugiados al Hol, na província de Hasakah. Mais de 140 deles morreram a caminho do acampamento ou assim que chegaram ao local.

Atualmente, há 72 mil pessoas morando em al Hol e milhares estão a caminho. Isso gera, segundo DiCarlo, uma necessidade de manter e intensificar a resposta humanitária. No entanto, ela destacou que a ONU ainda aguarda aprovação do governo da Síria para acesso humanitário de um terceiro comboio de ajuda.

Elaborando sobre as condições em al Hol, Rajasingham disse que muitos recém-chegados foram ao local após jornadas de centenas de quilômetros e exposição a abusos de direitos humanos. Muitas dessas pessoas sofrem de traumas, desnutrição ou fadiga.

Rajasingham concluiu com um pedido para contínuo engajamento internacional para permitir que a ONU continue comandando “uma das maiores e mais complexas operações de ajuda já implementada”.