Conflito continua a ter ‘consequências desastrosas’ para povo sírio, diz comissão da ONU

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O conflito na Síria continua a ter “consequências desastrosas” para civis que continuam a enfrentar o impacto dos seis anos de guerra, disse na quarta-feira (14) o presidente da Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre a Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

O acordo de redução das hostilidades — garantido por Rússia, Turquia e Irã — resultou em uma perceptível diminuição da violência em Idlib e oeste de Alepo. E enquanto essa iniciativa — junto com as negociações facilitadas pela ONU — foi “um passo na direção cerca”, a persistente violência em Homs, Damasco e sul de Dara’a “não mudou”, explicou Pinheiro aos membros do Conselho.

Menino empurra cadeira de rodas em meio a edificações destruídas em uma rua em Al-Mashatiyeh, próximo à cidade de Alepo, na Síria. Foto: ACNUR/Bassam Diab

Menino empurra cadeira de rodas em meio a edificações destruídas em uma rua em Al-Mashatiyeh, próximo à cidade de Alepo, na Síria. Foto: ACNUR/Bassam Diab

O conflito na Síria continua a ter “consequências desastrosas” para civis que continuam a enfrentar o impacto dos seis anos de guerra, disse na quarta-feira (14) o presidente da Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre a Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Em uma atualização ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Pinheiro pediu que as partes colocassem fim ao conflito e voltassem à mesa de negociações. Segundo ele, civis estão no indesejado papel de alvo da maior parte da violência.

Pinheiro disse ainda que este é seu 20º relatório ao organismo das Nações Unidas, e mais uma vez informou um indescritível dano aos civis.

O acordo de redução das hostilidades — garantido por Rússia, Turquia e Irã — resultou em uma perceptível diminuição da violência em Idlib e oeste de Alepo. E enquanto essa iniciativa — junto com as negociações facilitadas pela ONU — foi “um passo na direção cerca”, a persistente violência em Homs, Damasco e sul de Dara’a “não mudou”, explicou Pinheiro aos membros do Conselho.

“Seja pelo desenfreado uso de ataques aéreos contra bairros residenciais, ataques contra médicos e hospitais ou pelos ataques-suicidas que deliberadamente têm civis como alvo, o conflito permanece brutal em propósito e repreensível em método”, declarou Pinheiro.

Ataques aéreos em Raqqa

Pinheiro disse ainda que as forças da oposição síria continuaram seus ataques à cidade de Raqqa, onde o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) estava perdendo terreno. O sucesso contra o grupo terrorista poderia levar à libertação de civis isolados na cidade, incluindo mulheres e meninas Yazidi, três anos depois de terem sido capturadas no Iraque para serem vendidas como escravas sexuais a combatentes do ISIL.

O abuso contra o povo Yazidi é nada menos que um “genocídio em andamento e não enfrentado”, disse Pinheiro.

No entanto, ele insistiu que a luta pela retomada de territórios terroristas não deve ocorrer “à custa de um alto número de civis mortos nos ataques aéreos” — uma referência aos ataques que precederam o avanço das forças de oposição em Raqqa, e que causaram “inacreditável perda de vidas”.

Nas demais cidades sírias, cerca de 600 mil pessoas continuam isoladas. Essa população teve ajuda humanitária negada por prolongados períodos, o que levou à escassez severa de comida, deixando crianças desnutridas e afetadas para toda a vida, disse Pinheiro.

A única forma de acabar com esse sofrimento é pôr fim à guerra, disse ele às partes envolvidas no conflito e aos Estados-membros da ONU que poderiam ter influência nos confrontos.

“Mais uma vez, as partes envolvidas no conflito e Estados com influência falharam em capitalizar as oportunidades apresentadas pelas interrupções de hostilidades”, disse.

“E mais uma vez, homens, mulheres e crianças sírias pagam o preço pela continuidade da guerra. As partes não podem deixar outra oportunidade passar. Precisam garantir que qualquer escalada seja acompanhada de esforços renovados para acessar as comunidades em necessidade, fortalecer a proteção dos direitos humanos para todas as pessoas na Síria e gerar impulso significativo para a paz”, concluiu.


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