Confiança dos iraquianos é essencial para investigação da ONU sobre terroristas do ISIL, diz assessor

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Em pronunciamento no Conselho de Segurança, o chefe da equipe da ONU para a responsabilização do grupo terrorista ISIL afirmou nesta semana (4) que o trabalho investigativo das Nações Unidas só poderá ser eficaz se ganhar a confiança da sociedade iraquiana. Karim Khan lidera profissionais responsáveis por apurar crimes cometidos pelos extremistas, que recentemente dominaram grandes faixas do Iraque e da Síria.

Com um bebê de 13 dias no colo, idosa Yazidi que fugiu de Sinjar retorna ao Iraque a partir da Síria, pela cidade de Peshkhabour, província de Dohuk. Foto: UNICEF/Wathiq Khuzaie

Com um bebê de 13 dias no colo, idosa yazidi retorna ao Iraque a partir da Síria, pela cidade de Peshkhabour, província de Dohuk. Foto: UNICEF/Wathiq Khuzaie

Em pronunciamento no Conselho de Segurança, o chefe da equipe da ONU para a responsabilização do grupo terrorista ISIL afirmou nesta semana (4) que o trabalho investigativo das Nações Unidas só poderá ser eficaz se ganhar a confiança da sociedade iraquiana. Karim Khan lidera profissionais responsáveis por apurar crimes cometidos pelos extremistas, que recentemente dominaram grandes faixas do Iraque e da Síria.

A equipe, afirmou Khan em apresentação de seu primeiro relatório oficial, deve “operar como um mecanismo independente, imparcial e credível de responsabilização, capaz de realizar seu trabalho nos padrões mais altos possíveis”.

Em segundo lugar, de acordo com o assessor especial da ONU, existe “a necessidade de garantir que nosso trabalho seja realizado de forma colaborativa e cooperativa com o governo do Iraque, com total respeito à soberania nacional e de maneira a utilizar os talentos e gerar apoio de todos os elementos da sociedade”. O ISIL também é conhecido pelos nomes Daesh e Estado Islâmico.

A equipe da ONU foi estabelecida após o Conselho de Segurança adotar uma resolução em 2017 para apoiar os esforços domésticos do Iraque em responsabilizar os terroristas por suas ações. O período em que o Daesh controlou amplas áreas do Iraque, entre junho de 2014 e dezembro de 2017, foi descrito pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) como uma “campanha implacável de terror e violência”.

Durante visita em setembro ao país, Khan recebeu relatos de sobreviventes dos crimes do ISIL. “As perdas sofridas por estas comunidades são profundas. Eu avalio que as feridas da tristeza permanecem abertas e, mesmo quando houver cura, as cicatrizes serão profundas”, afirmou o dirigente.

O chefe da equipe investigativa destacou a necessidade de garantir que essas pessoas sejam protegidas e que os autores de atrocidades sejam levados à justiça. Khan prestou homenagem aos sobreviventes e reconheceu a “tremenda coragem e os sacríficos já demonstrados pelo povo do Iraque em seus esforços para derrotar o Estado Islâmico e levar justiça às vítimas”.

O assessor especial da ONU acrescentou que, desde que o Daesh foi afastado de sua fortaleza em Raqqa, no norte da Síria, “o escopo e a magnitude de seus crimes foram expostos”. “Relatos de testemunhas revelaram um conjunto de abusos inimagináveis. Milhares, incluindo mulheres e crianças, se tornaram vítimas e testemunhas destes crimes”, completou.

Trabalhando junto à Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI), o escritório de direitos humanos da ONU documentou a existência de 200 valas comuns no norte e oeste do país, que podem conter milhares de corpos. Os organismos acreditam que muitos outros locais como esses ainda possam ser descobertos.


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