Conferência sobre a Síria não deve acontecer em julho, diz representante da ONU e da Liga Árabe

Lakhdar Brahimi disse que Estados Unidos e Rússia ainda têm que acertar detalhes sobre pautas a serem discutidas e quem deve estar presente na conferência.

Representantes dos EUA, Rússia e ONU se encontram para debater conferência sobre o conflito na Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Representantes dos EUA, Rússia e ONU se encontram para debater conferência sobre o conflito na Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

É muito provável que a conferência internacional sobre a Síria não aconteça em julho, disse o representante especial conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe sobre a crise na Síria, Lakhdar Brahimi, na terça-feira (25).

“Francamente, duvido que a conferência seja realizada em julho”, disse Brahimi. Ele está em Genebra à frente das negociações com o vice-ministro das relações exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov, e a subsecretária de estado para assuntos políticos dos Estados Unidos, Wendy Sherman.

A reunião tem o objetivo de pavimentar o caminho para uma conferência que pretende encontrar uma solução política para o conflito entre o exército sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad.

Brahimi, Bogdanov e Sherman vão avaliar o que precisa ser feito “para criar as condições adequadas para a Conferência de Genebra sobre a Síria ter as melhores chances de sucesso”, incluindo o melhor momento para que possa ser realizada, quem deve participar, como deve ser estruturada e algumas das questões a serem discutidas.

O governo da Síria já se pronunciou que está disposto a participar da conferência, informou Brahimi, porém a oposição deve se reunir entre os dias 4 e 5 de julho para discutir o assunto, pois não estaria preparada para ir a Genebra.

Ele acrescentou que embora a reunião trilateral não vá resolver todas as questões básicas, ele está confiante que as discussões serão construtivas.

Desde o início do conflito em março de 2011, mais de 93 mil pessoas já morreram e pelo menos 1,6 milhão fugiram para países vizinhos buscando segurança. A situação só está piorando e há sinais de que os combates estão atravessando fronteiras.

No Líbano, mais de 50 pessoas foram mortas em confrontos que eclodiram no dia 23 de junho entre o exército e aqueles que apoiam um clérigo sunita no sul da cidade de Sidon, alertou Brahimi.