Conferência pede cooperação internacional para evitar contaminação por alimentos no mundo

Maior cooperação internacional é necessária para evitar que a contaminação de alimentos siga causando problemas de saúde na população mundial e, consequentemente, dificultando o progresso do desenvolvimento sustentável.

Essa foi a pauta da abertura da primeira Conferência Internacional de Segurança Alimentar organizada por União Africana (UA), Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e Organização Mundial da Saúde (OMS) em Addis Abeba, Etiópia.

Alimentos contaminados com bactérias, vírus, parasitas, toxinas ou produtos químicos são responsáveis pelo adoecimento de mais de 600 milhões e pela morte de 420 mil pessoas por ano. As doenças ligadas a alimentos inseguros sobrecarregam os sistemas de saúde e prejudicam as economias, o comércio e o turismo.

O objetivo da conferência é identificar as principais ações que garantirão a disponibilidade e o acesso a alimentos seguros agora e no futuro. Foto: PEXELS (CC)/Daria Shevtsova

O objetivo da conferência é identificar as principais ações que garantirão a disponibilidade e o acesso a alimentos seguros agora e no futuro. Foto: PEXELS (CC)/Daria Shevtsova

Maior cooperação internacional é necessária para evitar que a contaminação de alimentos siga causando problemas de saúde na população mundial e, consequentemente, dificultando o progresso do desenvolvimento sustentável.

Essa foi a pauta da abertura da primeira Conferência Internacional de Segurança Alimentar organizada por União Africana (UA), Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e Organização Mundial da Saúde (OMS) em Addis Abeba, Etiópia.

Alimentos contaminados com bactérias, vírus, parasitas, toxinas ou produtos químicos são responsáveis pelo adoecimento de mais de 600 milhões e pela morte de 420 mil pessoas por ano. As doenças ligadas a alimentos inseguros sobrecarregam os sistemas de saúde e prejudicam as economias, o comércio e o turismo.

O impacto dos alimentos inseguros custa às economias de baixa e média renda cerca de 95 bilhões de dólares em produtividade perdida a cada ano. Por causa dessas ameaças, a segurança alimentar deve ser um objetivo primordial em todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção até a colheita, processamento, armazenamento, distribuição, preparação e consumo.

“Não há segurança alimentar sem alimentação segura”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, durante a abertura do evento.

“Esta conferência é uma grande oportunidade para a comunidade internacional fortalecer os compromissos políticos e se envolver em ações-chave. Proteger nossa comida é uma responsabilidade compartilhada.”

“Todos nós devemos fazer a nossa parte. Devemos trabalhar juntos para aumentar a segurança alimentar nas agendas políticas nacionais e internacionais. É muito importante que os países possam endossar nesta conferência uma declaração robusta e ambiciosa sobre segurança alimentar”, enfatizou.

“O alimento deve ser uma fonte de nutrição e prazer, não uma causa de doença ou morte”, disse Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Alimentos inseguros são responsáveis ​​por centenas de milhares de mortes todos os anos. São alimentos que não receberam a atenção política que merecem”.

“Garantir que as pessoas tenham acesso a alimentos seguros exige investimentos sustentados em regulamentações, laboratórios, vigilância e monitoramento mais rigorosos. Em nosso mundo globalizado, segurança alimentar é problema de todos”, completou.

Cerca de 130 países participam da conferência de dois dias, com a participação de ministros de Agricultura, Saúde e Comércio. Também participam especialistas científicos, agências parceiras e representantes de consumidores, produtores de alimentos, organizações da sociedade civil e do setor privado.

O objetivo da conferência é identificar as principais ações que garantirão a disponibilidade e o acesso a alimentos seguros agora e no futuro. Isso exigirá um compromisso reforçado no mais alto nível político para aumentar a segurança alimentar na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Mudança de sistemas alimentares

Avanços tecnológicos, digitalização, novos alimentos e métodos de processamento são exemplos de novos sistemas alimentares que fornecem mais oportunidades para, simultaneamente, aumentar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, a subsistência e o comércio.

Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas e a globalização da produção de alimentos, juntamente com crescentes população global e urbanização, representam novos desafios para a segurança alimentar.

Os sistemas alimentares estão se tornando ainda mais complexos e interligados, obscurecendo as linhas de responsabilidade regulatória. Soluções para esses problemas potenciais requerem ação internacional inter setorial e combinada.

Colaboração reforçada

Um tema central da conferência é o fato de que os sistemas de segurança alimentar precisam acompanhar a maneira como os alimentos são produzidos e consumidos.

Isso requer um investimento sustentado e abordagens coordenadas e multissetoriais para a legislação reguladora, capacidades laboratoriais adequadas e programas adequados de vigilância de doenças e monitoramento de alimentos, os quais precisam ser apoiados por tecnologias de informação, conhecimento compartilhado, treinamento e educação.

Um segundo evento sobre o tema será realizado nos dias 23 e 24 de abril, em Genebra — o Fórum Internacional sobre Segurança Alimentar e Comércio, organizado por FAO, OMS e Organização Mundial do Comércio (OMC).

A intenção é focar nas interligações entre segurança alimentar e comércio. Espera-se que as duas reuniões galvanizem apoios e gerem ações nas áreas-chave para o futuro da segurança alimentar.