Conferência em Roma pede compromisso global com o fim da fome no mundo

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Os participantes da 45ª Comissão de Segurança Alimentar Mundial (CFS, na sigla em inglês), que ocorre nesta semana em Roma, na Itália, pediram esforços globais para erradicar a fome. De acordo com os principais oradores da reunião, ainda há tempo para alcançar a Fome Zero até 2030, mas medidas urgentes são necessárias.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, disse na abertura da reunião que o fracasso na erradicação da fome prejudicará todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso significa que “a pobreza não será erradicada, os recursos naturais continuarão a se degradar e a migração forçada continuará”.

“Temos que levar mais a sério a intenção de colocar fim aos conflitos”, enfatizou, por sua vez, David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Segurança alimentar é um dos destaques da cooperação entre Brasil e países da África. Foto: Centro de Excelência contra a Fome

Segurança alimentar é um dos destaques da cooperação entre Brasil e países da África. Foto: Centro de Excelência contra a Fome

Os participantes da 45ª Comissão de Segurança Alimentar Mundial (CFS, na sigla em inglês), que ocorre nesta semana em Roma, na Itália, pediram esforços globais para erradicar a fome. De acordo com os principais oradores da reunião, ainda há tempo para alcançar a Fome Zero até 2030, mas medidas urgentes são necessárias.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, disse na abertura da reunião que o fracasso na erradicação da fome prejudicará todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso significa que “a pobreza não será erradicada, os recursos naturais continuarão a se degradar e a migração forçada continuará”.

“Temos que levar mais a sério a intenção de colocar fim aos conflitos”, enfatizou, por sua vez, David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Os delegados da Comissão discutiram diretrizes voluntárias sobre sistemas alimentares e nutrição. Essas diretrizes visam ajudar os governos e parceiros relevantes a melhorar os sistemas alimentares, tornando-os mais sustentáveis, de forma a confirmar crenças, culturas e tradições dos indivíduos, e garantir que beneficiem as pessoas mais vulneráveis.

Os delegados da Comissão discutiram diretrizes voluntárias sobre sistemas alimentares e nutrição. Foto: PMA

Os delegados da Comissão discutiram diretrizes voluntárias sobre sistemas alimentares e nutrição. Foto: PMA

Evento paralelo sobre alimentação escolar

As sessões da Comissão deste ano abordaram a melhora dos sistemas alimentares e nutrição, as orientações do Direito à Alimentação, bem como mais de 50 eventos paralelos com foco em questões que vão de mudança climática e urbanização a mulheres rurais, posse da terra, processamento de alimentos, agroecologia e gestão pecuária.

Um desses eventos paralelos foi a discussão sobre “Programas Integrados de Refeições Escolares para Contribuições Múltiplas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Boas práticas, desafios e oportunidades para inovação, aprendizado e ampliação”.

O evento reuniu altos funcionários e representantes de governos para apresentar suas perspectivas sobre o tema, incluindo países com experiências diversas, mas emblemáticas, de alimentação escolar: Brasil, Egito, Etiópia, Índia, Iêmen e União Africana.

Eles se juntaram a representantes seniores da sociedade civil, do setor privado e de parceiros de desenvolvimento com interesse em programas de alimentação escolar. Trocaram pontos de vista sobre o que funciona e sobre oportunidades para inovação, adaptação e expansão de modelos bem-sucedidos de intervenção para impactos múltiplos e sustentáveis ​​em escala.

Representantes dos países explicaram como cada governo está traduzindo seu compromisso com a agenda da alimentação escolar em termos de financiamento, estruturas legais e regulatórias, coordenação institucional, abordagem multissetorial, parcerias com a sociedade civil e envolvimento com o setor privado.

Dia Mundial da Alimentação

Cerca de 821 milhões de pessoas, ou uma em cada nove pessoas no planeta, passaram fome no ano passado, marcando o terceiro aumento anual consecutivo, de acordo com o mais recente relatório da ONU sobre o tema.

Outras formas de desnutrição também estão se espalhando, notavelmente, a obesidade, que agora afeta 13,3% da população adulta global e está a caminho de superar o número de pessoas subnutridas no mundo. Oito dos 20 países com as maiores taxas de aumento da obesidade adulta estão na África.

Em 16 de outubro, os palestrantes da cerimônia do Dia Mundial da Alimentação em Roma pediram maior vontade política e mais apoio financeiro para acabar com a fome e desnutrição em todas as suas formas, instando a comunidade internacional a intensificar seus esforços até que todos tenham comida suficiente e de qualidade.

O tema deste ano da data foi “Nossas ações são o nosso futuro: um mundo de Fome Zero até 2030 é possível”. O tema ressalta a necessidade urgente de intensificar os esforços coletivos para alcançar o objetivo da Fome Zero. O Dia Mundial da Alimentação foi celebrado em mais de 150 países.

“A luta contra a fome exige urgentemente financiamento generoso, a abolição das barreiras comerciais e, acima de tudo, maior resiliência diante da mudança climática, crises econômicas e guerras”, disse o papa Francisco em uma mensagem especial lida no evento.

José Graziano da Silva deu o exemplo de Brasil, Peru e China, elogiando-os por terem reduzido significativamente a fome em um curto período de tempo — evidência de que a Fome Zero é possível se houver vontade política e apoio financeiro.

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que era “intolerável” a morte de metade dos bebês do mundo devido à fome, e apelou a todos “que fizessem sua parte para sistemas alimentares sustentáveis”.


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