Conferência em Nova Iorque discute desafios para erradicar comércio ilegal de armas leves

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA) promoveu na semana passada (18) na sede da ONU, em Nova Iorque, uma conferência de duas semanas sobre a Revisão do Programa de Ação da ONU para prevenir, combater e erradicar o tráfico ilícito de armas leves e de pequeno porte.

“Elas são a causa da morte de mais de meio milhão de pessoas anualmente”, disse a chefe de gabinete da ONU, a brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti. “Das cerca de 900 milhões de armas de pequeno porte no mundo, três quartos estão em mãos de civis — a maioria sem autorização”, observou.

Brasil é o terceiro maior exportador de armas de pequeno porte. Foto: EBC

Brasil é o terceiro maior exportador de armas de pequeno porte. Foto: EBC

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA) promoveu na semana passada (18) na sede da ONU, em Nova Iorque, uma conferência de duas semanas sobre a Revisão do Programa de Ação da ONU para prevenir, combater e erradicar o tráfico ilícito de armas leves e de pequeno porte.

O evento, que teve a sua última sessão na quinta-feira (28), abordou compromissos, iniciativas globais e o rastreio desses armamentos.

De acordo com o UNODA, as armas leves e de pequeno porte são um grande problema para o mundo porque eventualmente acabam em campos de batalha, nas ruas ou em outros lugares.

“Elas são a causa da morte de mais de meio milhão de pessoas anualmente”, disse a chefe de gabinete da ONU, a brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Viotti afirmou que os responsáveis por essa estatística podem ser soldados, agentes da polícia ou guardas de fronteira que usam as armas como recurso de autodefesa. Contudo, a maioria dos que portam armas são membros de grupos armados, organizações terroristas, gangues criminosas ou membros de forças de segurança que cometem abuso de poder.

Na opinião dela, regulamentar armas de pequeno porte é um desafio único e “não simplesmente uma questão de abordar as reservas de armas do governo”.

“Das cerca de 900 milhões de armas de pequeno porte no mundo, três quartos estão em mãos de civis — a maioria sem autorização”, observou.

Segundo a representante, controlar e regular o fluxo desse tipo de armamento requer ações como fornecer meios de subsistência alternativos a ex-combatentes ou trabalhar com organizações de base e programas de redução da violência em comunidades.

Ela acrescentou que as armas contribuem para os abusos de direitos humanos e o deslocamento forçado de civis em grande escala.

Desta forma, a regulamentação e o controle são ferramentas cruciais para a prevenção de conflitos e, por conseguinte, para a manutenção da paz e o alcance do desenvolvimento sustentável.

“Somente através do desenvolvimento sustentável poderemos construir sociedades justas, pacíficas e inclusivas, bem como alcançar uma paz duradoura”, salientou.

“No entanto, para alcançar a paz é preciso abordar as causas da violência e dos conflitos”, completou.

A conferência, conhecida como RevCon3, foi o terceiro encontro entre as nações que se comprometeram a prevenir, combater e erradicar o comércio ilícito de armas leves e de pequeno porte.

Até esta sexta-feira (29), os países participantes devem renovar os compromissos globais em relação a esses temas e adotar ações para os próximos seis anos.