Comunidades palestinas enfrentam risco de remoções devido a demolições

Em junho, 19 palestinos, incluindo 12 crianças, perderam suas casas quando forças de segurança israelenses promoveram demolições em Susiya, sul de Hebron, nos territórios palestinos ocupados. Foto: OCHA

O coordenador humanitário das Nações Unidas no território palestino, Robert Piper, informou na última segunda-feira (22) que muitas comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada estão enfrentando um sério risco de remoção forçada devido ao aumento crescente de demolições na área.

De acordo com Piper, uma onda de demolições e confiscos em toda a Cisjordânia ocorreu neste ano, com 786 estruturas palestinas demolidas desde o início de 2016. As demolições foram responsáveis por deslocar 1.197 pessoas, incluindo 558 crianças. Mais de 200 estruturas demolidas funcionavam como centros de ajuda humanitária.

Desde o início de agosto, as forças de segurança israelenses destruíram ou confiscaram um total de 85 estruturas civis em toda as 28 comunidades da Cisjordânia. Vinte e nove estruturas em oito locais foram demolidas apenas na última semana, resultando no deslocamento de 64 palestinos, incluindo 24 crianças.

Entre as estruturas demolidas somente no mês de agosto, estão abrigos de emergência, abrigos de animais, banheiros, um centro comunitário e uma nova rede de água potável.

“Os ciclos repetidos de demolições, as restrições de acesso a serviços básicos e as visitas regulares de seguranças israelenses promovem ambientes coercivos de relocações em toda parte, que agora envolvem as famílias palestinas vulneráveis”, disse Piper em comunicado, após voltar de uma visita à comunidade de Abu Nuwar, em Jerusalém.

“A pressão acumulada para se deslocar para outras partes da Cisjordânia continua aumentando. Não podemos esperar que as pessoas tomem decisões com base nesse risco elevado”, acrescentou.

Danos à rede de água, que foi apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), também afetaram cerca de 1 mil palestinos em cinco comunidades no Vale do Jordão. A região sofre de escassez de água extrema, especialmente durante os meses de verão.

“O direito internacional exige que Israel garanta que as necessidades básicas dos palestinos sejam cumpridas e que as condições necessárias para o desenvolvimento da população estejam presentes, incluindo um planejamento justo e legal e um regime de zoneamento”, destacou Robert.

De acordo com o coordenador humanitário, facilitar a entrega de ajuda humanitária é também uma obrigação legal, enquanto a transferência forçada de populações é proibida no âmbito do direito humanitário internacional, tal como a destruição de propriedade, a menos que essa seja absolutamente necessária para as operações militares.

Além disso, Robert Piper alertou sobre a situação da comunidade de Susiya, no sul da Cisjordânia, onde mais de 170 estruturas civis estão sob ameaça de demolição e onde as autoridades israelenses encerraram abruptamente as negociações com os representantes da comunidade no mês passado.

“Dkaika, Khan al Ahmar, Um al Kheir, Abu Nuwar, Susiya … essas são apenas algumas comunidades altamente vulneráveis onde as famílias, muitas das quais refugiadas da Palestina, vivem com medo permanente de se tornar sem-teto, e onde as crianças não sabem quando frequentarão uma escola”, concluiu Piper.