Comitê Especial da CEPAL discute população, território e desenvolvimento sustentável

Os participantes destacaram a dimensão territorial nas políticas e estratégias públicas, que possibilitariam ‘fechar as brechas da desigualdade’.

Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPALNa sessão de abertura do Comitê Especial da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) sobre População e Desenvolvimento 2012, a Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, afirmou que “o território importa e muito. É preciso preparar-se para um futuro cada vez mais urbanizado”. O Comitê começou os trabalhos na quarta-feira (4) com a presença de delegados de 54 países reunidos em Quito, Equador, e se concentrará em temas de população, território e desenvolvimento sustentável. “Não há modelos únicos”, disse Bárcena. “Cada país construirá sua equação Estado-mercado-sociedade e seus espaços de deliberação”.

Os participantes destacaram  a dimensão territorial nas políticas e estratégias públicas de modo a fechar as brechas da desigualdade, privações e segregações que são derivadas do lugar em que as pessoas vivem. Ressaltaram também a importância de avançar de maneira efetiva na integração dos fatores de população nos planos, políticas e programas de desenvolvimento, em todos os níveis políticos e administrativos.

O Presidente do Equador, Rafael Correa, esteve presente e reafirmou que um dos principais desafios na América Latina é levar em consideração os fenômenos comuns: a urbanização e as disparidades territoriais. “Atrás dos comportamentos demográficos estão realidades econômicas, sociais e culturais específicas. São os grupos sociais e territórios mais pobres os que  apresentam problemas de alta mortalidade, elevada fecundidade e uma maior propensão a migração. Modificar estes problemas implica atuar sobre suas causas fundamentais: a exclusão e a iniquidade”.

Em seu discurso, Alicia Bárcena apresentou as principais idéias do documento da CEPAL Planejamento Populacional e Desenvolvimento Sustentável que servirá de base para os debates da reunião. Segundo o documento, atualmente dois entre cada três latino-americanos vivem em cidades com 20 mil ou mais habitantes, e as metrópoles (de 1 milhão ou mais de habitantes) aumentaram de 8 em 1950 para 56 em 2010, concentrando um terço da população. “Para aproveitar as oportunidades oferecidas pela urbanização é necessário um planejamento do desenvolvimento futuro, para reduzir os déficits acumulados e dar o salto para uma mudança estrutural”, afirmou Bárcena.

O estudo também ressalta a importância da migração rural-urbana, que reduziu a força de trabalho nas áreas rurais, neutralizando parte do efeito positivo do bônus demográfico — a maior proporção da população economicamente ativa em relação à população inativa –, entre outros temas.