Comitê de orçamento da ONU aprova financiamento para missão de resposta ao ebola

Órgão da Assembleia Geral recomendou o financiamento de 49,9 milhões de dólares para a resposta à crise na África Ocidental. Vírus já tirou a vida de mais de 3,4 mil pessoas e ameaça desenvolvimento local.

Tratamento na Guiné. Foto: OMS/C. Black

Tratamento na Guiné. Foto: OMS/C. Black

O comitê das Nações Unidas que lida com questões administrativas e orçamentárias aprovou nesta terça-feira (7) uma resolução destinando recursos para a recém-criada Missão das Nações Unidas para a Resposta de Emergência ao Ebola (UNMEER) e para o Escritório do Enviado Especial sobre Ebola.

“O Quinto Comitê está enviando uma forte mensagem sobre a sua capacidade de fornecer de forma eficaz e com celeridade questões globais críticas e urgentes”, disse o presidente da Assembleia Geral da ONU, Sam Kutesa, durante a segunda reunião formal do grupo em Nova York.

Na primeira reunião do Comitê, na sexta-feira (3), a chefe do gabinete do secretário-geral da ONU, Susana Malcorra, apresentou sua proposta de financiamento preliminar solicitando 49,9 milhões de dólares para este ano.

O Comitê Consultivo para Questões Administrativas e Orçamentárias (ACABQ) endossou essa quantidade e recomendou que a Assembleia Geral a aprove. As equipes da UNMEER já estão na sede da missão em Acra, Gana, e nos escritórios locais em Guiné, Libéria e Serra Leoa.

“O estabelecimento da UNMEER é o primeiro passo nos esforços globais para conter o surto, e deve ser reforçado por um vasto leque de ações e medidas em todos os níveis”, disse Kutesa, destacando os esforços para mobilizar os recursos necessários, serviços médicos e assistência humanitária.

Estima-se, com dados até 1 de outubro, que mais de 7.400 pessoas tenham sido infectadas pelo vírus ebola, com 3.431 tendo morrido desde o início do surto, em março.

Além do financiamento da UNMEER, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que precisa de 988 milhões de dólares para responder ao surto. Até o momento, apenas 257 mil dólares – ou 26% – foram obtidos.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alertou que a crise de saúde do ebola que já custou milhares de vidas não pode se tornar uma crise socioeconômica, com dois de seus funcionários iniciando esta semana uma visita a Guiné, Serra Leoa e Libéria.

“Esta crise devastadora de saúde está destruindo vidas e comunidades. Ela também está prejudicando as economias nacionais, acabando com os meios de subsistência e serviços básicos, e pode desfazer anos de esforços para estabilizar a África Ocidental”, disse Magdy Martínez-Solimán, diretor de um escritório do PNUD de apoio a políticas e programas da agência.