Comitê da ONU pede que Arábia Saudita suspenda ataques aéreos no Iêmen

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No Iêmen, investidas militares sauditas teriam causado a morte de pelo menos 1.248 meninos e meninas, desde março de 2015. Jovens são 20% dos mortos e feridos pelas operações por ar. O governo de Riad lidera uma coalizão internacional que participa da guerra civil iemenita para defender o presidente Abd Mansour Hadi.

Menino de 12 anos carrega caixa de sabão doada pelo UNICEF em Sana'a, capital do Iêmen. Foto: OCHA/Muath Algabal

Menino de 12 anos carrega caixa de sabão doada pelo UNICEF em Sana’a, capital do Iêmen. Foto: OCHA/Muath Algabal

O Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança pediu nesta quinta-feira (11) que a Arábia Saudita suspenda ataques aéreos no Iêmen, onde investidas militares sauditas teriam causado a morte de pelo menos 1.248 meninos e meninas, desde março de 2015. Jovens são 20% dos mortos e feridos pelas operações por ar. O governo de Riad lidera uma coalizão internacional que participa da guerra civil iemenita para defender o presidente Abd Mansour Hadi.

Em novo levantamento, o organismo das Nações Unidas reconheceu o envolvimento da Arábia Saudita no conflito e disse que a aliança estrangeira visa “restaura a legitimidade” no Iêmen. Mansour Hadi luta contra grupos armados Houthi, que controlam a capital iemenita Sana’a e parte norte do território.

Segundo o comitê, a coalizão chefiada pelos sauditas foi “acidentalmente responsável por mortes e ferimentos entre crianças”. A instituição expressou sérias preocupações com o fato de que os jovens “continuam sendo as vítimas principais do conflito”.

A análise do órgão de direitos humanos registrou três ataques aéreos em agosto, nos dias 9, 22 e 23. A primeira das operações despertou condenações internacionais imediatas, após a notícia de que pelo menos 21 meninos morreram quando o ônibus em que se deslocavam foi atingido no mercado de Dahyan, na província de Saada, norte do Iêmen.

Na avaliação do comitê, todas as partes do conflito foram responsáveis por ataques a civis. Os alvos incluíram “casas, instalações médicas, escolas, fazendas, cerimônias de casamento, mercados e veículos em áreas movimentadas”. O levantamento também afirma que explosivos de fragmentação foram usados em algumas dessas manobras militares.

Ainda de acordo com a instituição, o contínuo bloqueio aéreo e naval ao Iêmen causou “consequências dramáticas” para “muitos milhões de pessoas, incluindo uma elevada proporção de crianças”.

Entre os problemas para os direitos dos jovens, o comitê elencou a “ineficiência” do mecanismo investigativo da coalizão sobre ataques contra crianças e espaços frequentados por menores. O órgão da ONU criticou “a falta de independência” dos membros do mecanismo.

A Arábia Saudita é signatária da Convenção sobre os Direitos da Criança, cuja implementação é monitorada pelo comitê. A cada quatro anos, países-membros desse acordo devem encaminhar informações atualizadas sobre atividades e progressos em relação às prescrições do texto. O Estado saudita também é parte dos protocolos opcionais da convenção, sobre o envolvimento de crianças em conflito armado e sobre o comércio de crianças, prostituição e pornografia infantis.


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