Comércio ilegal de armamentos tem acirrado tensões em Darfur, diz ONU

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Em pronunciamento no Conselho de Segurança da ONU, o representante especial das Nações Unidas para Darfur, Jeremiah Mamabolo, alertou em setembro que o comércio de armamentos na região tem acirrado — e tornado mais violentas — as disputas locais por recursos naturais. Conflitos envolvem não apenas milícias, mas também os próprios civis.

Oficiais da Operação da ONU em Darfur chegam a vilarejo para patrulho. Foto: UNAMID/Gonzalez Farran

Oficiais da Operação da ONU em Darfur chegam a vilarejo para patrulho. Foto: UNAMID/Gonzalez Farran

Em pronunciamento no Conselho de Segurança da ONU, o representante especial das Nações Unidas para Darfur, Jeremiah Mamabolo, alertou em setembro que o comércio de armamentos na região tem acirrado — e tornado mais violentas — as disputas locais por recursos naturais. Conflitos envolvem não apenas milícias, mas também os próprios civis.

Segundo o dirigente, que lidera a a Operação Conjunta da ONU e da União Africana em Darfur (UNAMID), confrontos de maiores proporções diminuíram em meses recentes, levando a uma suposta calmaria. Todavia, recrudesceram as tensões entre diferentes grupos habitando a localidade.

“Disputas entre comunidades, normalmente desencadeadas por competições por terra, água, gado e recursos minerais, tornaram-se cada vez mais violentas devido à disponibilidade de armas”, afirmou Mamabolo.

De acordo com o especialista, o governo sudanês tem conduzido uma campanha de controle de armamentos sob posse ilegal de cidadãos, mas as reações às iniciativas de recolhimento de artigos bélicos variam. A oposição e entidades que não assinaram o tratado de paz rejeitam as medidas.

Desde 2003, Darfur é palco de um conflito entre o governo do Sudão, seus aliados e grupos rebeldes. Embates levaram a uma guerra civil cujos desdobramentos se prolongam até hoje. Nos dois primeiros anos de confrontos, 1,8 milhão de pessoas ficaram internamente deslocadas pelas operações militares.

Em 2012, um acordo de paz foi firmado entre as autoridades sudanesas e o Movimento de Justiça e Liberação. O documento prevê um cessar-fogo permanente e negociações abrangentes para pôr fim às confrontações. Contudo, na avaliação de Mamabolo, os últimos progressos na implementação do pacto foram “limitados”.

Problemas envolvem, sobretudo, a busca por soluções duradouras para os fluxos de deslocamento associados aos conflitos, a administração da terra e da água e de outros recursos escassos e a atuação de milícias armadas.


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