Começa hoje nova conferência da ONU para discutir redução das emissões de gás carbônico

Centenas de representantes de governos, organizações internacionais e membros da sociedade civil estão reunidos em Doha, na COP18.

Presidente da Conferência das Partes (COP 18), Abdullah bin Hamad Al-Attiyah aborda a Conferência sobre Mudança Climática da ONU, em Doha, no Catar. (UNFCCC)Centenas de representantes de governos, organizações internacionais e membros da sociedade civil estão reunidos na capital do Catar, Doha, para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP18), que começou hoje (26) com uma chamada para desenvolver e implementar as decisões previamente acordadas para reduzir as emissões globais de carbono até o ano 2020.

“Temos uma oportunidade preciosa ao longo dos próximos dias, e temos de fazer pleno uso da mesma”, disse o Presidente da Conferência, Abdullah bin Hamad Al-Attiyah, no dia de abertura das conversações, instando os participantes a se aterem aos prazos acordados e rapidamente implementar decisões já acordadas.

A reunião de dez dias reúne as 195 partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o tratado pai do Protocolo de Kyoto de 1997. No âmbito do Protocolo, 37 Estados – de países altamente industrializados e os países em processo de transição para uma economia de mercado – têm limitação de emissões juridicamente vinculativas e compromissos de redução. Delegados governamentais na Conferência, entre outros objetivos, tentam estender o Protocolo de Kyoto, que expira no final de 2012.

Em seu discurso de abertura da Conferência, a Secretária-Executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, destacou recentes relatórios liderados pela ONU que apontam para a urgência de impedir que as temperaturas médias globais aumentem além de um nível internacionalmente acordado de dois graus Celsius. Figueres ressaltou que os países ainda podem reverter essas tendências, se decidirem agir, já que as opções de tecnologia, conhecimento e políticas necessárias para reduzir as emissões já estão disponíveis para eles. No entanto, ela enfatizou que o tempo está se esgotando.

“Especialistas dizem que agir agora é mais seguro e muito menos caro do que adiar”, disse. “Nos últimos três anos, as política e ações para um futuro com energia limpa e sustentável vem crescendo mais rapidamente do que nunca. Mas a porta está se fechando rapidamente, porque o ritmo e a velocidade da ação simplesmente ainda não foram o suficiente rápidas”.

Durante a COP17, na cidade sulafricana de Durban no ano passado, 194 Estados-parte da UNFCCC concordaram com um pacote de decisões – conhecido como a Plataforma de Durban – que inclue o lançamento de um protocolo ou instrumento legal que se aplica a todos os membros, um segundo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto, e o lançamento do Fundo Verde para o Clima, que foi criado para ajudar os países em desenvolvimento a se protegerem de impactos climáticos e construírem seus próprios futuros sustentáveis. A reunião de Doha vai  planejar o trabalho da Plataforma de Durban e abordar outras questões, como desmatamento, agricultura, desenvolvimento e transferência de tecnologia.