Combater uso de minas e explosivos é ‘investimento na humanidade’, diz chefe da ONU

Para Ban Ki-moon, as minas põem em risco refugiados e deslocados que retornam aos seus locais de origem quando guerras e crises chegam ao fim. Explosivos também ameaçam populações e profissionais humanitários que ainda enfrentam conflitos armados.

Minas são rastreadas em área de Timbuktu, no Mali. Foto: MINUSMA / Marco Dormino

Minas são rastreadas em área de Timbuktu, no Mali. Foto: MINUSMA / Marco Dormino

Na segunda-feira (4), Dia Internacional de Sensibilização sobre Minas e Assistência à Desminagem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que as ações contra esse tipo de explosivo são “um investimento na humanidade”.

O chefe das Nações Unidas pediu por um mundo livre dessa ameaça, que impede o retorno seguro de refugiados e deslocados aos seus locais de origem, quando as guerras e crises chegam ao fim.

Ban Ki-moon alertou que “em lugares demais no mundo todo, conflitos novos ou reemergentes estão criando ainda outro legado de perigos explosivos, como minas terrestres, bombas de fragmentação e dispositivos explosivos improvisados. Eu estou particularmente preocupado com o uso de armas explosivas em áreas povoadas”.

O secretário-geral explicou os esforços que as Nações Unidas – que conta com um Serviço de Ação de Minas próprio (UNMAS) – têm empreendido para combater os riscos trazidos pelos armamentos.

No Sudão do Sul, 14 milhões de metros quadrados de terras foram esquadrinhados e limpos, ficando livres de dispositivos explosivos. Cerca de 3 mil quilômetros de estradas tonaram-se se seguros ao trânsito e 30 mil minas e resquícios de armamentos foram destruídos. Nos últimos 12 meses, mais de 500 mil pessoas receberam aulas sobre os riscos das minas.

“Isso tornou possível a entrega de alimentos e água e o movimento seguro daqueles que fogem dos confrontos”, disse Ban Ki-moon.

Mesmo na Síria, 14 toneladas de artilharia não tonelada foram destruídas desde agosto de 2015. Também no ano passado, mais de 2 milhões de sírios fizeram cursos de conscientização sobre os perigos de explosivos em escolas e comunidades. Serviços de reabilitação física foram disponibilizados para mais de 5,4 mil pessoas.

Apesar dos avanços, “milhões de sírios continuam a enfrentar essa ameaça mortal todos os dias. Há uma necessidade urgente de mais apoio, bem como de acesso duradouro e desimpedido para todas as atividades de desminagem”, disse o secretário-geral.

Em 2015, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução que assinala a importância de manter as ações contra as minas entre as prioridades da agenda internacional.

Ator e defensor global da ONU, Daniel Craig pede mais apoio às atividades de desminagem

O ator britânico Daniel Craig durante uma visita de campo em que acompanhou o processo de desminagem de membros da força de paz da ONU. Foto: UNFICYP

O ator britânico Daniel Craig durante uma visita de campo em que acompanhou o processo de desminagem de membros da força de paz da ONU. Foto: UNFICYP

O defensor global das Nações Unidas para a Eliminação de Minas e Explosivos Perigosos, Daniel Craig, também se pronunciou a respeito da data internacional.

Famoso por seu papel como James Bond, o ator chamou atenção para o papel crítico desempenhado pela desminagem para aumentar as chances de sobrevivência de civis e profissionais humanitários em zonas de conflito armado.

Segundo Craig, a luta contra as minas também é fundamental para o retorno a um contexto de paz. O UNMAS “oferece uma solução a longo prazo para o maior problema que as vítimas de guerra enfrentam: como voltar a uma vida normal?”, ressaltou.

“Estou pedindo a vocês que se unam a mim para promover o trabalho (do UNMAS) e seus programas, de modo que vocês também possam fazer a diferença na eliminação dos perigos das minas e explosivos”, disse o ator em mensagem à comunidade internacional.