Combater o antissemitismo exige solidariedade diante do ódio, diz chefe da ONU

No contexto de um fluxo constante de ataques contra judeus, suas instituições e propriedades, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou no sábado (25) para uma crise global de ódio antissemita.

Enquanto vemos um ressurgimento profundamente preocupante de ataques antissemitas em todo o mundo, “a solidariedade diante do ódio é hoje mais necessária do que nunca”, disse o chefe da ONU em uma cerimônia anual de lembrança do Holocausto na histórica sinagoga de Park East, em Nova Iorque.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa durante evento em sinagoga de Nova Iorque em outubro de 2018. Foto: ONU/Rick Bajornas

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa durante evento em sinagoga de Nova Iorque em outubro de 2018. Foto: ONU/Rick Bajornas

No contexto de um fluxo constante de ataques contra judeus, suas instituições e propriedades, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou no sábado (25) para uma crise global de ódio antissemita.

Enquanto vemos um ressurgimento profundamente preocupante de ataques antissemitas em todo o mundo, “a solidariedade diante do ódio é hoje mais necessária do que nunca”, disse o chefe da ONU em uma cerimônia anual de lembrança do Holocausto na histórica sinagoga de Park East, em Nova Iorque.

Ele refletiu sobre o ressurgimento de neonazistas e supremacistas brancos espalhando ideologia venenosa e memes online que “envenenam mentes jovens”.

Enquanto o mundo se revolta com os horríveis detalhes dos campos de extermínio de Auschwitz, Guterres sustentou que todos devem olhar, aprender e reaprender as lições do Holocausto, para que nunca se repitam.

Ele disse que, uma vez que o preconceito e o ódio prosperam na insegurança, expectativas frustradas, ignorância e ressentimento, é necessária uma liderança que promova a coesão social e lide com as raízes do ódio, em todos os níveis.

Um investimento de todas as partes da sociedade para erradicar o crescente antissemitismo pode ser feito e realizado com um espírito de respeito mútuo, observou Guterres.

Libertação de Auschwitz

Na véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, nesta segunda-feira (27), a ONU lançou uma pungente exposição fotográfica sobre os 75 anos da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior campo de extermínio nazista.

Estima-se que mais de 1,1 milhão de pessoas tenham sido assassinadas naquele único campo na Polônia ocupada, nove em cada dez eram judeus.

Hoje, a ação coletiva contra o antissemitismo e outras formas de preconceito continua sendo importante para a dignidade e os direitos humanos de todas as pessoas em todos os lugares.

Mensagem da UNESCO

Em mensagem para a data, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, lembrou que, 75 anos atrás, a centésima e a tricentésima vigésima segunda divisões do exército soviético “Primeiro Fronte Ucraniano” alcançaram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, cujos nomes simbolizam a barbárie de centros de execução e campos de concentração.

Quase 1 milhão de homens, mulheres e crianças foram mortos porque eram judeus, a maioria assim que chegavam lá. Milhares de ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, oponentes políticos e outras pessoas perseguidas foram presas lá ou lá morreram. No total, os nazistas assassinaram 1 milhão e 100 mil pessoas em Auschwitz-Birkenau.

Birkenau, com seu sistema industrializado de matança, representa o ápice da iniciativa criminosa nazista. Em nome da ideologia racista e antissemita, pessoas de todas as idades foram consideradas indignas para viver e foram sistematicamente assassinadas em escala continental.

“Para estas vítimas sem enterro, para quem o esquecimento seria uma segunda condenação, a UNESCO deseja prestar tributo neste dia. Primeiro, através do indispensável trabalho de lembrar e, segundo, através do comprometimento de agir. É, portanto, nosso dever lutar contra discursos, onde quer que sejam feitos, que busquem negar a existência do Holocausto, minimizar sua escala ou tentem absolver os assassinos e seus cúmplices dos crimes”, declarou a chefe da UNESCO.

Segundo ela, é também nosso dever, aqui e agora, prevenir o ressurgimento do genocídio e da violência em massa, porque embora os nazistas tenham sido derrotados, nem o antissemitismo nem o racismo morreram. Eles continuam tirando vidas, minorias continuam sendo discriminadas e perseguidas por suas religiões, origem ou cultura e populações civis continuam a ser vítimas de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, lembrou.

“É precisamente o papel da UNESCO fazer todo o esforço para aumentar a conscientização pública, fortalecer as defesas intelectuais e, numa palavra, educar – porque as pessoas não nascem antissemitas nem racistas, elas se tornam assim.”

“É nosso dever coletivo responder vigorosamente contra a manipulação da cultura e a instrumentalização da educação, que é muito mal utilizada para doutrinar ou incitar o ódio, e promover o conhecimento sobre outras culturas e fortalecer o pensamento crítico e o respeito mútuo.”

Prevenir dano irreparável, preparar as novas gerações para um futuro mais seguro e pacífico – esta é a missão confiada à UNESCO há 70 anos e que continua, mais do que nunca, a nos inspirar, disse Azoulay.