Combate entre Exército e rebeldes deixa cinco mortos e três soldados da ONU feridos na RD Congo

Ataques de sábado (24) serão investigados pela polícia do país e das Nações Unidas, afirma chefe da missão de paz, Martin Kobler. Agências humanitárias destacam obrigação de envolvidos no conflito protegerem civis.

Deslocados internos no Leste da República Democrática do Congo montam acampamento no subúrbio de Goma. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

Pelo menos cinco pessoas morreram no sábado (24) por causa do conflito entre as Forças Armadas da República Democrática do Congo e o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23). O chefe da missão da ONU no país, Martin Kobler, afirmou que as mortes serão investigadas pelas polícias nacional e das Nações Unidas (UNPOL).

Segundo a Missão da ONU para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), duas pessoas morreram em uma manifestação que ocorreu em Goma, capital de Kivu do Norte e principal cidade do Leste do país, e pelo menos mais três faleceram após bombardeio em Ndosho, subúrbio de Goma, no sábado de manhã. No ataque, outras cinco ficaram feridas.

Os morteiros disparados no combate entre o M23 e as Forças Armadas também feriram três soldados da ONU que trabalhavam na vila de Munigi. “Nenhum ato dessa natureza praticado pelo M23 será tolerado e qualquer ataque contra a população civil e as Nações Unidas constitui um crime de guerra“, enfatizou Kobler.

Durante sua primeira visita à província de Kivu Norte, no início da semana passada, Kobler reiterou a determinação da ONU de ajudar a restaurar a autoridade do Estado na região e resolver a questão dos grupos armados.

Em um comunicado divulgado também no sábado (24), a enviada especial do secretário-geral da ONU para a região dos Grandes Lagos na África, Mary Robinson, disse estar “profundamente preocupada” com a situação no Leste do país.

Robinson pediu que seja feito todo o possível para evitar a escalada dos conflitos, promover o diálogo e respeitar a carta e o espírito do Quadro para a Paz, a Segurança e a Cooperação para a República Democrática do Congo e os países da região. O acordo foi assinado no início deste ano por 11 países africanos e mais quatro instituições regionais e internacionais para servir de modelo para a paz e o desenvolvimento da região.

As agências da ONU de ajuda humanitária também se manifestaram sobre a retomada dos combates entre Governo e rebeldes. Em uma declaração conjunta, o coordenador humanitário da ONU para a República Democrática do Congo, Moustapha Soumare, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) condenaram fortemente os ataques, ressaltando que as partes envolvidas no conflito devem proteger os civis e garantir o acesso da ajuda humanitária às regiões necessitadas.

Em 2012, o M23, juntamente com outros grupos armados, entraram várias vezes em confronto com as Forças Armadas no Leste do país. Os rebeldes ocuparam Goma por um breve momento em novembro. O combate recomeçou nas últimas semanas, desta vez com o apoio de um grupo rebelde de Uganda, e já desalojou mais de 100 mil pessoas.

A crise humanitária foi agravada e 2,6 milhões de pessoas estão deslocadas internamente. Há 6,4 milhões de pessoas precisando de alimentos e ajuda de emergência.