Combate às doenças não transmissíveis precisa de 'nova mentalidade', diz chefe da OMS

A Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, faz um retrato da expansão das DNTs no mundo, como a diabetes e a obesidade, e pede uma nova abordagem para conter seu crescimento.

Margaret Chan, Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde. UN Photo / Paulo FilgueirasOs países precisam mudar sua mentalidade atual para enfrentar com sucesso as doenças não transmissíveis (DNT), disse hoje (16/1) a Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, ressaltando que os governos precisarão explorar novas abordagens para prevenir e tratar essas doenças, que se tornaram rapidamente uma das questões mais urgentes da saúde pública.

“Há muito tempo, a mentalidade da saúde pública tem sido orientada em direção à prevenção e ao controle de doenças infecciosas”, disse Chan. “Ela tem sido orientada para episódios de doenças agudas, e não para tratamentos de longo prazo ou de prevenção, que requerem esforços para além do setor de saúde. A mentalidade precisa mudar, e isso não será fácil”.

A Diretora ressaltou que por causa da sua natureza as DNTs são mais difíceis de combater e precisam de novas abordagens que controlem sua expansão. “O impacto das DNTs vem em ondas. O que estamos vendo agora em grande parte dos países em desenvolvimento é a primeira onda. Isto é perceptível pelo aumento do número de pessoas com pressão sanguínea, colesterol elevado e os estágios iniciais de diabetes. A crescente prevalência da obesidade e do sobrepeso, percebida em todos os lugares, é o sinal de alarme para o fato de que problemas maiores estão a caminho”.

Chan destaca também a falta de conhecimento por parte significativa das pessoas com DNTs. “A segunda onda, que ainda está por vir, será muito mais terrível. Uma estatística é relevante neste sentido. Das estimadas 346 milhões de pessoas que sofrem com a diabetes no mundo, quase metade desconheçe a condição da própria doença. Para a maioria destas pessoas, o primeiro contato com o serviço de saúde virá quando elas começarem a ficar cegos, precisarem amputar algum membro, experienciarem a insufência renal ou sofrerem um ataque de coração”.