Com ‘otimismo cauteloso’, oficial da ONU cita desenvolvimentos positivos no conflito Israel-Palestina

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O secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Miroslav Jenca, reportou na quarta-feira (18) ao Conselho de Segurança alguns desenvolvimentos positivos no conflito entre Israel e Palestina, especialmente em relação aos esforços de reconciliação intra-palestinos.

Sob o acordo, a Autoridade Nacional Palestina deve assumir o controle das fronteiras da Faixa de Gaza a partir de 1º de novembro. Uma declaração divulgada pelo Egito, que facilitou o acordo, destacou que o governo palestino deve assumir todas as suas responsabilidades na gestão do enclave a partir de 1º de dezembro.

Jovens palestinos reúnem-se em prédio abandonado de Gaza. Foto: ONU/Shareef Sarhan

Jovens palestinos reúnem-se em prédio abandonado de Gaza. Foto: ONU/Shareef Sarhan

O secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Miroslav Jenca, reportou na quarta-feira (18) ao Conselho de Segurança alguns desenvolvimentos positivos no conflito entre Israel e Palestina, especialmente em relação aos esforços de reconciliação intra-palestinos.

“A reunião de hoje está ocorrendo simultaneamente a desenvolvimentos importantes para acabar com a divisão palestina de mais de 10 anos e retornar Gaza ao controle total da legítima Autoridade Nacional Palestina”, disse Jenca, referindo-se ao acordo de 12 de outubro entre o partido Fatah e o grupo islâmico Hamas, o que permitirá ao governo palestino retomar suas responsabilidades sobre Gaza.

Sob o acordo, a Autoridade Nacional Palestina deve assumir o controle das fronteiras da Faixa de Gaza a partir de 1º de novembro. Uma declaração divulgada pelo Egito, que facilitou o acordo, destacou que o governo palestino deve assumir todas as suas responsabilidades na gestão do enclave a partir de 1º de dezembro.

Jenca acrescentou que o acordo não contém disposições relativas a eleições, à formação de um governo de unidade nacional ou ao desarmamento do Hamas.

Na semana passada (12), o secretário-geral da ONU, António Guterres, congratulou por telefone o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pelo acordo.

Sobre a situação humanitária, Jenca disse que as restrições no fornecimento de energia elétrica continuaram em Gaza pelo sexto mês consecutivo, deixando 2 milhões de pessoas com eletricidade somente por seis horas diárias.

Gaza também enfrenta um desastre ambiental que ocorre para além das fronteiras do enclave, disse o oficial da ONU, uma vez que o equivalente a 40 piscinas olímpicas de esgoto continua sendo despejado diariamente no Mar Mediterrâneo, contaminando toda a costa.

A qualidade do sistema de saúde em Gaza está se deteriorando em um ritmo alarmante. O acesso a atendimento médico fora de Gaza também está cada vez mais difícil, alertou. Enquanto o governo palestino retorna ao enclave, é necessário tomar medidas urgentes para reverter esse quadro, acrescentou.

“Apesar da trajetória negativa que caracterizou o conflito palestino-israelense por muito tempo, á razões para o otimismo cauteloso”, disse.

No mês passado, milhares de mulheres israelenses e palestinas se uniram em um protesto de duas semanas pela paz, reunindo participantes de todas as idades e origens.

“O anseio por paz entre os dois povos permanece forte. Essas iniciativas comunitárias da sociedade civil são essenciais para construir as bases da paz e precisam ser apoiadas”, disse Jenca. Ele também lembrou que o relatório de julho de 2016 sobre o Quarteto do Oriente Médio — que inclui ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia — identificou a falta de unidade palestina como um dos principais obstáculos para atingir uma solução de dois Estados, que representa estabelecer um Estado palestino viável e soberano que viva em paz e segurança com Israel.

“As partes (Hamas e Fatah) tomaram um primeiro passo crucial nesse processo”, disse. “O sucesso (do acordo) carregaria consigo uma enorme oportunidade, mas também seu fracasso traria enormes riscos. Os palestinos precisam decidir que caminho desejam trilhar”.


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