Com intensificação da seca em todo mundo, ONU pede por políticas climáticas integradas

OMM e UNCCD alertam que políticas pontuais voltadas para crises não são suficientes para resolver o problema das secas, cada vez mais intensas.

WFP/Phil Behan As Nações Unidas declararam ontem (21) que esforços mais consolidados para combater a ameaça de alterações climáticas e seus efeitos em cascata sobre a segurança alimentar mundial são necessários em meio a uma intensificação global da seca e ao aumento das temperaturas em todo o mundo.

“As mudanças climáticas deverão aumentar a frequência, intensidade e duração das secas, com impactos sobre muitos setores, em especial de alimentos, água e energia”, disse o Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Michel Jarraud, em um comunicado à imprensa. “Precisamos passar de uma abordagem fragmentada e voltada para crises para o desenvolvimento de políticas nacionais integradas de seca, baseadas no risco”, acrescentou.

Estratégia coordenada

De acordo com o comunicado de imprensa, a OMM e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), juntamente com outras agências da ONU, estão intensificando os esforços para estabelecer uma estratégia mais coordenada e proativa para a gestão do risco de seca que busca preencher vácuos políticos existentes em países ao redor do mundo e uma Reunião de Alto Nível sobre Política Nacional de Seca já foi agendada para março de 2013.

Em uma conferência de imprensa em Genebra ontem (21), o Diretor da Previsão Climática da OMM, Mannava Sivakumar, sublinhou a gravidade e o alcance da seca atual e seu potencial impacto nos preços mundiais de alimentos.

Secas mais severas

Ele salientou situações de crise nos Estados Unidos, que passa pelo seu pior período de seca desde 1895, e na Índia, onde as chuvas estão 17% abaixo do normal – chegando a 70%  a menos na região de Punjab, celeiro do país. Ele também lembrou da grave seca que atingiu partes da África Oriental no final de 2010 e continuou durante a maior parte de 2011, com as áreas mais afetadas abrangendo as regiões semi-áridas do leste e norte do Quênia, Somália ocidental e áreas de fronteira do sul da Etiópia.

“A fome resultante de seca no grande Chifre da África em 2010, a crise em curso na região do Sahel e da longa seca nos EUA mostram que os países desenvolvidos e em desenvolvimento são igualmente vulneráveis”, disse o Secretário Executivo da UNCCD, Luc Gnacadja. “Eficazes soluções de longo prazo para mitigar os efeitos da seca, desertificação e degradação da terra precisam urgentemente ser integradas aos planos de desenvolvimento e políticas nacionais”, acrescentou.

Em 2009, especialistas internacionais sobre o clima, reunidos no Workshop Internacional sobre seca e temperaturas extremas em Pequim lançou suas projeções climáticas para o século 21, previram um aumento na frequência de secas severas nos EUA continental e México, a bacia do Mediterrâneo, partes do norte China, no sul da África e Austrália e em partes da América do Sul.