Com difilcudades, negociações de paz avançam na República Centro-Africana

Uma declaração de princípios para resolver a crise política, um acordo de cessar-fogo e outro sobre a divisão de poder e o período de transição política no país foram acordados no dia 11.

Crianças deslocadas pela violência na República Centro-Africana (CAR) assistem a uma aula ao ar livre em um acampamento. Foto: ACNUR / D. Mbaiorem

Em meio aos acordos alcançados para acabar com uma rebelião na República Centro-Africana (CAR), a Representante Especial do Secretário-Geral e Chefe do Escritório Integrado da ONU de Construção da Paz na República Centro-Africana (BINUCA), Margaret Vogt, afirmou que a comunidade internacional precisa de forma mais eficaz, tanto diplomática quanto financeiramente, tirar o país africano da beira do abismo. “A segurança é fundamental para a paz e o desenvolvimento. A República Centro-Africana (CAR) tem necessidade de um exército e forças de segurança funcionais e eficazes e o Governo tem de estar presente em todas as partes do país”, disse Vogt em reunião do Conselho de Segurança na sexta-feira (11).

Negociações de paz envolvendo o governo da CAR e o grupo rebelde Séléka estabeleceram na sexta-feira três acordos em Libreville, capital do Gabão: uma declaração de princípios para resolver a crise política e de segurança, um acordo de cessar-fogo e outro sobre a divisão de poder e o período de transição política no país. Recentemente, a nação africana sofreu ataques do Séléka em algumas cidades do nordeste. O grupo avançava para a capital Bangui no final de dezembro antes de concordar em iniciar negociações de paz na semana passada em Libreville, com o apoio da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC).

A CAR tem um histórico recorrente de instabilidade política e conflitos armados recentes, principalmente pela fraca autoridade do Estado em muitas partes do país. As tensões étnicas no norte, as atividades de grupos rebeldes e a presença do grupo armado de Uganda, Exército da Resistência do Senhor (LRA), aumentaram a insegurança e instabilidade no país, o que causou um deslocamento interno significativo.

Vogt se comunicou com o Conselho por meio de uma videoconferência direto de Libreville, onde tem estado em diálogo com as partes do conflito e apoiando as negociações. Segundo a funcionária da ONU, o Séléka tomou o controle de algumas cidades sem muita resistência do exército nacional. “O fracasso do exército nacional para repelir essa agressão é um indicativo do grau de decomposição dentro das forças armadas “, afirmou a Representante. Vogt afirmou que o exército perdeu coesão e a vontade de lutar e que muitos soldados largaram suas armas e fugiram para as florestas.

A Representante apresentou alguns pontos-chaves nos novos acordos: o Presidente François Bozizé continuará no poder, o Primeiro-Ministro será da oposição, com poder executivo completo, e um governo de unidade nacional deve ser formado com representantes de todas as partes da negociação. No sábado (12), Bozizé decretou a dissolução do Governo do Primeiro-Ministro Faustin-Archange Touadera como início das medidas dos acordos.