Com aumento do fluxo de refugiados, ONU cria campos no Sudão do Sul

Segundo o ACNUR, número de refugiados sul-sudaneses pode chegar a 100 mil até o final de janeiro. No domingo (19), secretário-geral da ONU denunciou ameaça contra pessoal humanitário.

A noite se aproxima no centro de trânsito do Dzaipi, no norte de Uganda, onde o ACNUR tem erguido tendas para muitos dos refugiados do Sudão do Sul. Foto: ACNUR/ F. Noy

A noite se aproxima no centro de trânsito do Dzaipi, no norte de Uganda, onde o ACNUR tem erguido tendas para muitos dos refugiados do Sudão do Sul. Foto: ACNUR/ F. Noy

Com mais e mais pessoas fugindo do conflito no Sudão do Sul, a agência das Nações Unidas para os refugiados disse na sexta-feira (17) que criará campos e ampliará os já existentes nas vizinhas Uganda, Etiópia e Quênia, para lidar com o fluxo de refugiados.

Desde que o conflito eclodiu na jovem nação do mundo, em meados de dezembro, mais de 86 mil sul-sudaneses cruzaram para países vizinhos, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Com as pessoas ainda chegando a uma taxa de cerca de mil por dia, nós estamos olhando para a possibilidade de o número de refugiados alcançar 100 mil até o final de janeiro”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra.

Soment em Nimule (Uganda), há agora milhares de pessoas. Outros estão em áreas de fronteira com o Sudão e as regiões vizinhas de Darfur Oriental, bem como Kordofan do Sul e Oeste.

De acordo com dados do governo, existem hoje 46.579 refugiados do Sudão do Sul em Uganda. A Etiópia recebeu até agora 20.624, e o Quênia pelo menos 8.900. Estima-se que 10 mil pessoas já cruzaram a fronteira sul e oeste do Sudão, que sofre com violência armada. O Governo sudanês registrou 1.371 refugiados, enquanto os demais são em sua maioria nômades.

Inviolabilidade de espaços da ONU que protegem os civis sul-sudaneses devem ser respeitados, diz Ban Ki-moon

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou “alarme” sobre a tentativa deste domingo (19) por membros do alto escalão do governo e do exército do Sudão do Sul de entrar com força no complexo das Nações Unidas em Bor, onde os civis estão sendo protegidos da violência em curso no país.

A Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) está fornecendo proteção para cerca de 70 mil civis em suas bases, inclusive em Bor, no estado de Jonglei, desde que o conflito eclodiu há pouco mais de um mês.

“O secretário-geral está particularmente perturbado que membros das Nações Unidas ameaçados por militares do Sudão do Sul quando se recusaram a permitir que os soldados armados entrem no local de proteção da UNMISS hoje [domingo]”, disse o porta-voz de Ban Ki-moon, em um comunicado.

“O secretário-geral condena as ameaças feitas contra o pessoal da ONU e exige que todas as partes envolvidas no conflito respeitem a inviolabilidade de espaços de proteção da UNMISS.”