Com apoio do PNUD, projeto estimula empreendedorismo de comunidades negras tradicionais

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) acompanhou em fins de junho uma visita da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial à casa de matriz africana Ilê Oxum Omolu, em São João de Meriti (RJ). A missão faz parte de um projeto do organismo do governo para promover o empreendedorismo e a geração de renda em comunidades negras tradicionais.

Projeto apoiado pelo PNUD visa estimular empreendedorismo de comunidades negras tradicionais. Foto: Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

Projeto apoiado pelo PNUD visa estimular empreendedorismo de comunidades negras tradicionais. Foto: Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) acompanhou em fins de junho uma visita da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial à casa de matriz africana Ilê Oxum Omolu, em São João de Meriti (RJ). A missão faz parte de um projeto do organismo do governo para promover o empreendedorismo e a geração de renda em comunidades negras tradicionais.

Na cidade fluminense, representantes da agência da ONU e da Secretaria Nacional conheceram o funcionamento e o espaço do terreiro, bem como as ações sociais desenvolvidas pela Ilê Oxum Omolu — que incluem oficinas de capacitação e palestras educativas.

Em parceria com o PNUD, a Secretaria quer desenvolver e aplicar, em formato piloto, uma metodologia capaz de estimular o empreendedorismo em territórios quilombolas de todo o Brasil. O órgão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial faz parte do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

Empreendedorismo

A equipe do programa da ONU e do governo federal foi recebida por Mãe Nilce, que é Iyá Egbé da Ilê Oxum Omolu, além de coordenadora da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde e conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro. Otimista, a líder local disse ter ficado muito feliz com a aproximação.

“Essa visita nos traz muita esperança. A partir dela, vamos dar continuidade ao nosso trabalho de empreendedorismo, a esse empoderamento das pessoas que nos procuram, principalmente as mulheres”, afirmou Nilce.

Para a coordenadora-geral de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Terreiros e para Povos Ciganos, da Secretaria Nacional, Isabel Paredes, esse será um trabalho de valorização do empreendedorismo dos povos tradicionais.

“Ninguém vai dizer às comunidades o que fazer. Queremos entender as necessidades de cada local e apoiá-los nas suas aptidões econômicas”, afirmou a gestora.

A oficial de Gênero e Raça do PNUD no Brasil, Ismália Afonso, aponta que já existe um campo de conhecimento e práticas consolidados. “É um sinal de que a iniciativa-piloto terá, de fato, potencial para ser replicada em outras localidades e casas de matriz africana. Assim, teremos sucesso no objetivo do projeto, que é o desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades negras tradicionais.”

Projeto

As comunidades de matriz africana do estado do Rio de Janeiro começaram um automapeamento em 2016, por meio do projeto Apoio ao desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades negras tradicionais — uma iniciativa do PNUD Brasil em parceria com a Secretaria Nacional.

O programa visa capacitar essas comunidades para que elas realizem mapeamentos socioeconômicos de seus territórios. Outro objetivo é a realização de um levantamento censitário. As ações buscam reverter a situação de vulnerabilidade social das famílias vinculadas às casas e terreiros, especialmente nas áreas de segurança alimentar e nutricional.

O projeto também apoia a implementação da Nova Cartografia Social, estratégia que sistematiza todos os documentos, arquivos e mapas sobre comunidades e populações quilombolas.